terça-feira, 3 de novembro de 2015

Mãe você está ai?

Mãe você está ai?
Ficaram para trás as doces lembranças
de um tempo também de resignação.
Pode ao menos me dizer porque não tenho saudades?
Porque estou bem sozinho e ao mesmo tempo tão
perto do vazio, com a necessidade imediata do outro?

Mãe se ainda estiver ai, se ouve meus prantos,
se compreende a minha distância de tudo, então
me perdoe, mas é que eu sou triste de berço.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Teus versos



Entre teus versos e o vinho
teus versos
mesmo na sede insaciável.

Entre teus versos e as estrelas
teus versos
que iluminam meu sonhar noturno.

Entre teus versos e as montanhas
teus versos
mesmo sendo montanha.

Entre teus versos e a estrada
teus versos
que levam-me na longitude do teu caminhar.

Entre teus versos e o silêncio
ainda assim teus versos
que me constrói em profundo pensar.

Entre teus versos e a infinitude
teus versos
que habitam a profundidade do meu ser.

Entre teus versos
minhas escolhas
Entre minhas escolhas
teus versos.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Sou educador

O meu poder resume-se na minha força de vontade, não sei quase nada o que sei hoje foram meus alunos que me forneceram ao longo de cada tutoria, sou humilde de berço e sei reconhecer quando não sei nada, mas também me louvo quando faço a diferença. Nada em mim é falso sou autentico e possuo coragem de cem homens, respeito aos montes e ninguém terá uma critica se quer a fazer de mim porque minha moral transcende o que sou. Eu sou simplesmente bom no que faço, da maneira que faço. 


se você não está pronto para dar aula ou para ministrar uma tutoria não se meta. Porque como bem disse Paulo Freire “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador. A Gente não se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática” você deve está em permanente busca pelo saber, o aprendizado deve ser diário e constante.


 Tenho aprendido pouco a pouco o poder transformador do contato entre o “ensinante” e o “aprendiz” como bem dizia Paulo Freire. As necessidades se dividindo em varias outras necessidades de igual importância, aprendi a olhar o “aprendiz” e compreender suas necessidades que não se limitam apenas em aprender o conteúdo, mas sim de afeto, de ser ouvido e entendido, de ser alguém com direito de fala e questionamentos, de ser senhor de si próprio. Eu enquanto “ensinante” e “aprendiz” tenho o entendimento claro e conciso dessas duas palavras, no que tange minha humildade em reconhecer o aprendizado maior do “ensinante” para com o “aprendiz”, aprender com as crianças, aprender naturalmente as coisas como elas são. Na interação de saberes o educador aprende conscientemente e humanamente ele absorve a necessidade de guardar para si tão grandioso aprendizado.




É fantástica a interação entre você já formado e o aluno no lugar onde você já esteve, dinheiro nenhum no mundo paga essa experiência. Da carteira ao quadro, do silêncio a abertura do dialogo, eu acabei me tornando o que eu queria ser, dane-se o sistema eu sou o que sou, e vou transmitir na sala de aula aquilo que acredito fortemente. Temos que mostrar aquilo que somos.


domingo, 3 de agosto de 2014

Meio a meio



Uma
Coisa
É
Certa
Temos
Um
Interesse
Em
Comum
Logo
Nada
Temos
A
Perder
Vamos
Em
Frente
Ao
Invés
De
Brigarmos
Porque
Não
Nós
Amamos?

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

(...)



Preciso ler um poema que fale de uma "infinita highway"

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Agenda poética


Tomar café as sete para começar a tecer o dia.
As oito de bicicleta até a biblioteca municipal multiplicar saberes
Dez e meia ainda na biblioteca lendo Thoreau e imaginando Pessoa
As onze e meia fazer o almoço enquanto Pink Floyd toca a meia altura
Uma hora depois de almoçar apreciar um delicioso vinho, o mais barato
Como de costume aqueles com gosto de simplicidade.
14h tentar escrever um poema vulgar e melancólico ou
um poema solidão depois de chorar meia dúzia de palavras enxutas
As 16h 30min estender no varal o poema pronto para quarar
18h comprar o pão quentinho
19h 30min esquentar a água para o mate de Saché, não sou do sul mas gostaria de o ser.
21h ler o poema do livro de cabeceira dos versos que me enobrecem "meu amanhecer vai ser de noite"
22h continuar a ler o mesmo livro "no fim de tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal: Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro"
23h Saborear outro delicioso vinho enquanto todos dormem tranquilamente
00h assistir algum programa na TV ate o tédio começar a nascer e se estabelecer
2h fechar os olhos para sonhar com o tempo em que a vida seja tão mais
Intensa quanto os versos de Ilíada.



domingo, 13 de abril de 2014

Avenida solidão

De bicicleta corto a avenida Rio de Janeiro de uma ponta a outra. A solidez da madrugada ressoa na linha férrea que separa ida e volta, a cidade inteira parece dormir menos os garis, os bêbados  e as prostitutas desfilando quase nuas enquanto os garis limpam a sujeira que os bêbados vomitam. O sabor doentio da solidão habita o céu da boca e mesmo na noite estrelada meu coração é um mar de pedras, um abismo de saudades, ando assim desatento, um carro freia em cima sigo andando como se nada tivesse acontecido, olhar para traz seria prova do meu descuido com a vida.


Na madrugada a lua me segue, entre a lua e eu existe uma cumplicidade desafiadora, eu habitando-a constantemente. De bicicleta um homem pensa mais do que transpira, o suor que desce de sua testa não é jamais do esforço físico, mas sim dos pensamentos que correm sua extensa memória. O tempo constrói vagarosamente o ser pensante, cada pedalada se torna outro, porque pensa pensamentos distantes, porque ouve o vento dissonante, porque a lua nunca chega. Enquanto não findo a avenida Rio de Janeiro meus pensamentos vão tecendo o suor, enquanto a lua permanece em seu lugar eu sigo a seu encontro que se dará provavelmente no infinito. O tempo me parece com uma prostituta dessas da Rio de Janeiro cheias de desejos para dar e depois sumir para nunca mais. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Não sejamos hipócritas

Desenhei um foguete na areia
para temos possibilidade de voar 
sempre que o vento estivesse a favor.

Já caminhei tanto
minhas pernas estão cansadas,
minha própria vida está cansada
ronda em mim ainda a mesma azia
pela existência desafortunada.

Passei o dia a olhar em volta
preciso voar para longe de mim
para longe de ti, do fim.

Se vamos fingir que seja
um fingimento profissional 
o mesmo que os poetas 
e os idiotas se utilizam.
não vamos ser hipócritas!


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

domingo, 6 de outubro de 2013

Escolhas

Ei!
Tá tudo bem?
O que não se pode ver não se pode afirmar.
eu vejo tua face triste, mas o teu coração
não estar ao meu alcance.

Se tu es livre porque choras?
alguns pedaços da tua tristeza escorre mansamente
por entre as veias de tua vida deveras descontinuada.
Se tu queres porque não segues?
lembra-te sempre que das possibilidades
extraímos o sumo daquilo que pode vir a ser continuidade.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sempre você



É sempre um prazer tê ver assim linda sem fim.
Mais nada acontece, não é? 
Somos desconfiados um do outro
Não queremos dar o braço a torcer
sei, vivemos tempos de pura confusão sentimental
é melhor deixar como está, sem mágoas.
e nesse silêncio de mim pra ti acabamos
tentados pela distâncias extrema
na solidão dos pensamentos lá outro cá.

É sempre um prazer tê ter por perto
se um dia eu te convidar pra sair 
é por que já não aguento mais pensar que não dar.
Estamos assim engasgados;
estamos aprisionando paixão;
estamos saindo pela contramão.
Mas eu sei, é essa coisa de relação confusa
de gostar agora é desgostar depois 
de viver agora é separar depois, tem razão
talvez o melhor é não nos precipitamos outra vez. 

É sempre um prazer te querer pra sempre.

sábado, 21 de setembro de 2013

Só os grandes

Só os escritores de nomes carregam o respeito de serem lidos.

domingo, 15 de setembro de 2013

A aparência engana

Poderia gostar de alguém, mas o alguém que gosto é totalmente displicente. Realmente falar só por falar não é a minha praia, a pessoa tem de ser autentica do início ao fim, meio termo pra mim é hipocrisia, dei-me a verdade e retribuirei, dizer só por dizer não diz nada a prática fala mais alto, a prática tem os meus olhos, na verdade enxerga mais que os meus olhos. Como Nietzsche dizia “toda verdade deve vir acompanhada de uma boa gargalhada” e as suas verdades me dão nojo e vergonha, a sua beleza atrai qualquer homem mais os seus pensamentos diante de alguém que te quer bem, nada oferece de natural e maduro. Uma mulher para ser mulher de verdade tem de desfilar sob o natural por essência e não forçadamente por interesse.  É de mais o nojo que sinto de certos tipos de pessoas. O caráter diz muito e se as atitudes não condizem com a aparência desmantelada e mesquinha nada presta em sua pessoa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Livro sobre Nada





O Livro sobre Nada
Manoel de Barros

Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

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Tudo que não invento é falso.

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Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

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Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

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É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

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Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

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Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

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A inércia é o meu ato principal.

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Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

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O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.

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A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

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Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

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Por pudor sou impuro.

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Não preciso do fim para chegar.

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De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

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Do lugar onde estou já fui embora.



LIVRO SOBRE O NADA é uma obra prima da literatura nacional, como é maravilhoso encontrar ainda nos dias de hoje grandes engenheiros de palavras como Manoel de Barros.

A voz do silêncio



Um dia vamos sentar e conversar
Mas hoje quero apenas silêncio.
Sinto necessidade de mais vazio
Você nunca sentiu essa vontade gritante de silêncio?
Acho que você não conhece a língua do silêncio.
Fazer com que as coisas sumam,
O tempo pare repentinamente
Diante dos seus pensamentos vagos.
O medo vai embora
O peito largo acomoda bem o vazio.
A solidão é como um amanhecer neblinado
Em que a frieza do pensar te conduz
Para bem longe
Para distante de tudo
Que te reduz.
Neste momento só o silêncio me constrói.


domingo, 25 de agosto de 2013

Meu irmão: uma infância inteira e nada foi como deveria ter sido.



Estou a pensar na infância, mas a unica imagem que me vem a mente é a de meu irmão em uma tarde de verão intenso atirando uma pedra em minha direção, eu abaixando atrás de uma fileira de telhas velhas e a pedra assim mesmo me alcançando e sai sangue, e eu choro, choro muito. Estou a dias pensando, a relação com meu irmão teve seus altos e baixos, mais baixos do que alto. E nunca conversamos sobre mulheres, conversamos pouco sobre futebol, quase nunca conversávamos, jogávamos bola no quintal de casa para isso eramos fieis. Dividíamos o mesmo quarto, torcemos para o mesmo botafogo de trote mansos de outrora e nunca estendemos a mão um para o outro, nunca deixamos transparecer o sentimento encolhido em nós, eramos estranhos que se conheciam nada mais.

Hoje confesso que sou mesmo um cara estranho para sentimentos, o que sinto sinto pouco, o que guardo não é mais que brevidade e demagogia vencida, nada me atrai, o que os outros tem para me oferecer não me interessa. Meu irmão está lá e eu estou aqui não mais dividimos o mesmo quarto e se a pequena distância de antes nunca foi barreira para uma distância ainda maior entre nós, hoje ela se estende para o infinito e o que a entre nós é apenas remorsos, culpa, mais distância e uma variante que ronda o tempo, as lembranças retornam para mostrar cada pilar erguido de forma incorreta desabando no presente, cada laço desfeito ao longo do caminho, cada erro pisado e repisado pela memória é o que resta.

O "eterno retorno" já não valeria nesse ponto pra mim, não suportaria viver isso tudo de novo assim, eu acrescentaria o diálogo e o afeto no vasto espaço entre eu e meu irmão, eu o entenderia mais vezes porque hoje não o entendo definitivamente. A amizade verdadeira deveria reinar mais nos laços de sangue, se isso só contasse, se o ambiente fosse um só para todos aqueles que vivem uma vida de harmonia um com outro seria mais fácil. Talvez meu irmão não guarde nada da infância, talvez lembre de mim, mas não da forma que lembro dele como meu irmão totalmente esbelto, talvez ele nem tenha percebido que o tempo passou  e só nós distanciamos um do outro, que ele casou e eu permaneço aqui a pensar nele.

                                                                                Aracaju, 25/08/2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Para além de nós mesmos




Qualquer resto
qualquer esperança
somos alimentados
toda a vida
por uma força
uma impulsão
sempre para adiante
somos levados a crer
a acreditar
fervorosamente
no além presente.
Sonhamos por que
Queremos está além de nós.
Vivemos por que
Esperamos viver mais.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vinho barato



E se tivesse condições de comprar o vinho mais caro que existe, aquele extraído dos vinhedos selecionados da Itália ou de Portugal e aprovado pelo melhor sommelier que existe, ainda assim optaria pelo velho vinho barato do barzinho de esquina. Aprecio de mais o prazer e o gosto de simplicidade que carrega em sua acidez.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A gravidez do poeta






No caminho para o trabalho
na madrugada quando o sono não bate na porta
no banheiro quando o chuveiro chove
em qualquer lugar quando a mente ligeiramente se distrai
essa é a rotina do pescador de palavras.

A inspiração começa percorrendo tímidas linhas
Foge do nada
E em algum lugar inesperado ela aparece
E se torna magistralmente bem vinda.

No ritmo da palavra certa
Seguindo o som aberto das metáforas ocasionais.
A poeira da imaginação vai te levando
Te levando até o limite dos pensamentos
Tornarem-se fetos e ganharem vida.

A grande gravidez do poeta.
Carrega por nove meses a inspiração viva
Os sentimentos e os resguardos de viver
E a necessidade de parir, a dor do parto
Faz-se em qualquer lugar, inesperadamente.
Então, eis ai o nascimento.
Eis a dor
Eis a cria.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eu



Não sou melhor que ninguém.
Amo quem me ama,
mas prefiro a distância.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Família





Fico a observar uma planta e seu intenso elo com a terra e penso: se retiramos essa planta da terra e pusermos em qualquer outro lugar destituído de todos os nutrientes que a planta necessita para sobreviver ela logo, murcha, seca e morre. Ou seja, a planta necessita da terra para sobreviver. Não é diferente para qualquer membro familiar, a família é como a terra e nós a planta com suas múltiplas raízes que precisa se fixar a terra para poder crescer, frutificar, sombrear. Precisamos de apoio moral, educativos e sociais esses são os nutrientes que a família tem para nós oferecer. Longe desses nutrientes murchamos, secamos e presos ficaremos com nossa consciência defasada dentro de um sistema improdutivo da sociedade. Sem a família não passamos de um estágio mal formado, um aborto sobrevivente para a sociedade criar como bem entender. Só a família sabe fortalecer nossas raízes, só ela possui toda uma camada de proteção que nos garante chegar à infinidade limitada ao nosso ser.