sábado, 22 de agosto de 2009

As prostitutas


É madrugada, deserta fica a cidade encharcada do negrume da noite, deserto ficam os segredos de cada ser andante pelas calçadas procurando saciar o desejo regido ao capital, os desejos incansáveis e indecentes, desertos ficam os pensamentos corajosos na busca pelo sexo capital.

Mulheres e ex-homens habitam do mundo
O lado asqueroso, fonte de saciação dos solitários
De plantões, espera de o próprio suor alcançar
O sucesso de uma vida digna, penso eu. Para outras o sexo é a diversão, é dignidade em forma de prazer,
É a forma única que encontram para sustentar o viver indolente desde que nasce a superação que pensam ter nas mãos, é simplesmente subordinação a uma humilhação direta ao seu ser, é nada mais que a insignificância humana para seus descendentes que abominam ferozmente a existência porca em vielas de imundices sexuais.

Elas ou eles? Não sei, porque ai se misturam os sexos,
Ridículo não posso esconder o que sinto avistando um ser querendo virar outro completamente diferente, é repugnante. O oferecimento a cada um que passa as formas de se vestirem, os atos, vendem-se
Por nada, por um simples momento de orgasmo sazonal. Ao passar pela rua olho-as alguns minutos
A ancia logo vem, vejo o enfarto do mundo bem próximo de mim, a perdição que leva ao mais fundo do poço, tudo indigno de existência. Perecer não é solução é querer fazer parte de tudo perecível.

Se tiver elas ou eles desejos é o de brincar com corpo
Na humilhação pelo bocado imundo que destrói o homem, o mundo e a criação. Culpado é o capitalismo gerado nas classes dominantes que detem o poder de impedir todas essas sujeiras, mas que eles próprios são participantes que desfrutam destes seres de esquinas, destes produtos
Promocionais em mundo tão demoníaco, objetos,
De disputa entre seres ávidos por prazer, com fome
Do sexo deprimente que afogam num poço vulgar
As mulheres e homens mulheres que nesta vida mesclam achando elas ou eles uma vida discreta.

O que esperar de uma sociedade acolhedora de atos
Leprosos, norteantes e decadentes, o que esperar de seres desnutridos do bom censo que bancam esta casta emporcalhada de homens entrando numa espécie de mutação se transformado nelas.

A única solução para esta sociedade doente permeia
Na castração da demência humana, quando se vai pensar em soluções saudáveis para melhor viver uma vida natural, sem precisar se vender como produto barato em tempos de liquidações.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

De Peso de Los Toros para o mundo (Mario Benedetti)


Uruguaio de Paso de Los Toros nascido em 14 de setembro de 1920
Foi de tudo na vida, foi caixa, ajudante de oficina, funcionario publico e entre tantas as profissões só uma soou tão bem em sua vida e dela soube aproveitar, soube tirar o melhor de si propio e do mundo, tornando-se assim peça importantissima da literatura Uruguaia, renomado ganhador de ilustre premios e o mais importante dono dos poemas mais bem escritos, lindos que refletem toda sua vida em Montevideu e pelo mundo inteiro.

Conquistou o carinho dos leitores com contos, poemas e romances presenteou os cinemas com uma das mais belas de suas obras “La tregua” publicado em 1960 reconhecidissima no mundo inteiro traduzida em mais de vinte linguas chegou as telas do cinema com moral, sendo indicado ao o oscar de melhor filme estrangeiros da epoca. E realmente é esepicional, extremamente ironico com fatos ocorridos na epoca de publicação, uma narrativa fantastica, atual retratando os grandes centros urbanos, a vida solitaria e diaria de pessoas simples que rotacionam seus dias em acordar, trabalhar e dormir novamente com execelente tom de ironia. Uma verdadeira obra prima da literatura Uruguaia.

Mas não foi só com “La tregua” que ele se tornou renomado e conhecidissimo foi poeta magico de encantar com as palavras como em “ Poemas de oficina” publicado no ano de 1956. juntos com la tregua formam as mais importante de toda suas obras. Entre essas obras estão “La víespera indelebre” publicado em 1945 ano que estreava na literatura e encaminharia seus grandes momentos. “Quién de nosotros” foi seu primeiro romance, em 1949 publicou seu primeiro livro de conto “Esta mañana” e tantos outros tendo com todos grandes reconhecimentos e felicidades.

Foi casado apenas uma vez com Luz López Alegre grande amor de sua vida, também critica de seus trabalhos e de mais companheira. Quando ela veio a falecer vitima de Alzheimer em abril de 2006 sofreu muito com a perda da grande mulher que foi para ele. Apos a morte da esposa muda-se para um bairro central de Montevideu onde passaria o resto de sua vida a dedica-se em poemas e a lidar com as graves doenças que foram surgindo ao longo do tempo. Em fervereiro 2008 teve sua primeira internação por desidratação, em março do mesmo ano com prpblemas respiratorios. Em 24 de abril recebe alta e apos doze dias volta a ser internado e em 17 de maio de 2009 morre aos 88 anos em Montevideu de problemas interstinais. Tendo sua ultima obra “Testigo de uno mismo”publicada em agosto de 2008.

Mario Benedetti antes de tudo foi umas das mentes brilhantes , que deteve em sua vasta utopia a realidade escancarada na poesia de cada dia, atraves dela participou ativamente do tratado militar contra os EUA e agonizou a globalização com frase como: “Ditadura indiscriminada, que cada vez conduz mais ao suicidio da humanidade”. Mario Benedetti esteve presente nas vidas dos Uruguaios assim como Manuel Bandeira, Calos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Tom Jobim e tantos outros estiveram na vida dos Brasileiro. E se trando de contexto Latino-Americano foi exemplo extraodinario, inspiração, beleza e arte.




SOY MI HUESPED

Soy mi huésped nocturno
en dosis mínimas
y uso la noche
para despojarme
de la modestia
y otras vanidades

aspiro a ser tratado
sin los prejuicios
de la bienvenida
y con las cortesías
del silencio

no colecciono padeceres
ni los sarcasmos
que hacen mella

soy tan solo
mi huésped
y traigo una paloma
que no es prenda de paz
sino paloma

como huésped
estrictamente mío
en la pizarra de la noche
trazo una línea
blanca

(De La Vida ese Parentesis)




SOU MEU HÓSPEDE

Sou meu hóspede noturno em doses mínimas e uso a noitepara despojar-me da modéstia e outras vaidades
procuro ser tratadosem os prejuízos das boas-vindase com as cortesiasdo silêncio
não coleciono padeceresnem os sarcasmos que deixam marca
sou tão-sómeu hóspedee trago uma pombaque não é sinal de pazmas sim pomba
como hóspede estritamente meuno quadro-negro da noite traço uma linhabranca

(De La Vida ese Parêntesis)


Ao ler “La trégua” ou “A trégua” uma das tão renomadas obras de Mario Benedetti sentir a necessidade de remexer toda sua vida, porque percebi que por trás das palavras contidas naquele livro havia um grande homem, mágico na arte de escrever. Recomendo a todos os leitores as obras tanto poéticas quanto contos e romances são excelentes.

Só existe um lugar


A terra está coberta por uma nuvem negra
E chove maldade perante homens, perante pais e filhos,
Chuvisca desrespeito por toda parte.
Cai uma chuvada de destruição, ambição e insignificância.

A lua é o refugio para os quais correm desta rinha
De animais ferozes e briguentos. O homem povoara a lua
Como refugio pelo medo de seus descendentes, pelo medo de seus atos
De vandalismo para com o espelho dos inocentes.

Vão construir casas na lua, escolas, estradas de ferro,
Vão construir prédios na lua, indústrias de todos os tipos.
Irá então haver as classes ricas e as classes pobres
Sem falar dos miseráveis. E tudo se fará novamente num instante
O que se fez na terra.

Então o homem povoará outro planeta habitável, onde possa
Construir suas casas, escolas, prédios, estradas e indústrias
Ate chegar por fim nas classes ricas e nas classes pobres sem
Esquecer dos miseráveis. E tudo num piscar de olhos se fará
Novamente o que se fez na terra e na lua.

Então o homem povoara outro planeta
E idem, idem, idem, idem...
Ate se da conta que o único planeta onde tudo
É diferente, é o planeta para onde vão todos os loucos suicidas.

As flores em gaza


Um jardim de flores murchas
arrancadas, pisoteadas, não
é mais as flores de Hiroxima
são outras flores que sofrem
e morrem do mesmo jeito.

Em uma única faixa que
separa duas nações em
guerras violentas, as flores
caem a cada segundo,
a cada tiro disparado, a cada
bomba lançada, as flores
caem e não vegetam mais.

As flores caem como frutas
podres das fruteiras, são tantas
as flores, são tantas as rosas,
são tantas as quedas, são tantas
as mortes e as flores ficam
cada vez mais triste, cada vez
mais escassa, cada vez mais
sem vida e os seus pensamentos
vão também ficando sem nada
vago, pequeno, escuro.

E o mundo vai ficando sem
cantos, sem solução, sem resolução
sem preocupação. Enquanto
isso as flores vão murchando,
se decompondo, se recolhendo
em tumultos pequenos que seu mundo
constrói com tantas guerras de
tiros, bombas de todos os tamanhos
e tanques gigantescos acertando
alvos, flores que não compartilham
esta guerra de monstros homens.

Medo da escuridão


Sentado de nada penso, de nada faço,
Nada quero, à sombra pousa nas asas
Do meu delírio, fecho e abro os olhos, à noite
É uma formiga cansada andando, escureço
Acordado, anoiteço de olhos acessos.

E o tempo dorme junto ao meu corpo
Dorme profundamente e esquecendo de
Passar, o tempo ronca e os meus olhos
Não conseguem se fecharem o teto é a
Única visagem das retinas incansáveis.

O mundo fica pequeno, barulho algum
Escuto só o roncar da coruja lá fora,
A cidade dorme rente ao mundo inteiro,
Rente ao mundo dentro de mim gigantesco,
Dentro das normas que regem a vida, dormi
Para descansar eu porem acordo
Para não pesadelos sustentar em meus
Pilares desnutridos.

Minha cama larga, deserta, fria. À noite
É tudo isso e mais sombria, a noite calma
É uma filosofia nunca corre como um
Trem, nunca voa como um avião e o
Meu sono nunca vai com a noite.

De braços abertos me sinto ser um pássaro
De olhos fechados, sinto está morto
Em meio tanta escuridão, não vejo Luiz, vejo
As trevas, amanheço acordado, vejo
O que quase ninguém consegue ver na aurora
De todas as manhas, o sol nascer entre
As montanhas e em cada janela entrar
Para deixar a Luiz que cada ser precisa
Assim como as plantas para sobreviver.
Somos regidos pela lei da natureza
E se ela causa medo como a escuridão
Que me amedronta então não temos
A quem recorrer, não dormirei até
Que o sol suja e esmague a escuridão
Como a escuridão esmagou meu sono.





O mundo


O mundo anda tão depressivo, tão negro, nefasto
Que matar virou diversão para fim de semana.
É inacreditável tamanha impunidade neste país como
Se porífera diante de olhares distraídos de uma sociedade
Comprada por ração de esquecimento, por momentos
De banalidades e extrema parceria com as mazelas de todos os dias.

Esta é a sociedade movida com o combustível
Adulterado do sexualismo, conivência sem limites
Com humilhantes depredações. O mundo é uma carnificina
Jogada a urubus famintos, estamos no futuro de agonia
Por conta dos acontecimentos em toda parte que se diz
Existir vida. O que realmente somos?

Será que este mundo é uma jaula de famintas feras?

O que será que existe em cada pensamento matador de homens monstros?

Como seria o mundo sem tantas racionalidades em forma de perversidade?
Não seria, porque não haveria o equilíbrio entre o bem e o mal.

Será esta a resposta? Tão curta e filosófica resposta.
Com relação ao contexto filosófico citado acima tudo bem,

mas com relação ao mundo e seus habitantes em si torna-se contraria
Porque existe um desequilíbrio de idéias, sentimentos, reações, emoções, etc.

Os seres humanos são parecidos em tese com sua forma física

o que deixa totalmente fora de contexto o intelecto de cada um, porque só aquele com as mesmas concepções conseguem agir e pensar igualmente. E infelizmente está extinta da humanidade os seres que conseguem agir e pensar contextualmente.

O mundo que vejo agora referente ao mundo histórico do passado não tem diferenças nenhuma, apenas na forma de pensar, de agir e de matar. A matança é muito mais brutal se viermos a imaginar o mudo histórico do passado veremos mortes em campos de batalha, disputas de terras, claro não a explicações para tantas mortes mesmo em campos de batalha, só que eles
Matavam por disputas de terras, disputas religiosas, disputas vinculada a política da época, eram mortes com um significado muito mais lógico. Não essa sociedade que mata por prazer, por dependência, por vicio, por humilhação, por gestos, por toques. Esta sociedade é imunda, é esta sociedade que será o futuro ou já é não sei? Sei que passa por momentos conturbados quanto à natureza de cada ser.

Pergunto-me quando alguém compara o ser humano com animais, porque submeter a uma comparação tão brutal visto que essas criaturas nascem forçadas a cumprirem regras de sobrevivência em seu meio? Não são animais são seres verdadeiros do manto natural do planeta a perversidade esta em nós mesmo é preciso correr atrás das verdades absolutas para poder assim manifestá-las diante de todos os hipócritas que acolhem bobagens.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Seios de mulher


Entre o umbigo e os ombros

Uma parte de desejo mortal

Uma parte de destaque lateral.


Entre o umbigo e os ombros

As cascatas de encanto fatal

A circunferência helicoidal.


Entre o umbigo e os ombros


Um relevo sinuoso, gótico, oval.

Sentimento complicado


Não sei o que é amor

Tem algum aroma?

Tem algum sabor?

Será feito de isopor?

Porque será que ele

Balança feito gangorra?

O que tem ele que supre

Todas as necessidades

Rapidamente.

Não sei o que é amor

Queria tanto compreender.

domingo, 9 de agosto de 2009

Noite solitária


A noite é cumprida com a solidão e nessa
Válvula de escape, tento dormir comprimindo
Os olhos, ligando as duas partes que tendem a ficar
Desunidas nesta noite tão fria, tão calamitosa e nervosa
Com os carros lá fora gritando.

Não adianta dormi se os pensamentos continuam acordados
Remexendo no passado, bulindo nas saudades sonolentas,
Incitando o futuro. Não vale sonhar de olhos abertos, não é
Justo para os que saem de olhos completamente fechados
Só abertos na aurora do dia ou com os pesadelos de agonia.

Quando se fecham os olhos a noite e dorme intensamente
Ao abri-los pela manhã verá formação de um novo dia diferente
Do que ficou para traz. Então a noite é isso se for consumida
Com veracidade terá no outro dia tranqüilidade,

se não aborrecimento e insustentabilidade.

O grão de areia no sapato incomoda, o ruído da cama
Ao me virar constantemente enlouquece-me, o olhar
De quem dorme só tem direção para o teto assim como
Quem sofre na vida a direção é a solidão. Um grande caminho
Na frente se forma não sei se é sonho ou pensamento
Só vejo a realidade crescendo feito fermento, nasci com
Uma solidão prematura e desde então com ela cresci,
Com ela estou é à sombra da eternidade e o crepúsculo
Da minha insana vontade de amar que passa quando
A vida esclarece que amar é sofrer, morrer, fenecer,
Apegar, amarrar sem direito a se soltar, somos todos
Fantoches do amor, da solidão somos prelúdios do viver.




Magia


Libere as mãos
Deixe-as sentir o ar
Solte-as do corpo.

Sinta a magia entre os dedos.

Deixe-a andar por todo o corpo.

Ela passou


Ela passou em minha frente
Deixou o perfume exposto
Nas abas de todo meu corpo.

Ela passou, nem olhar olhou
Passou rosando o corpo em mim
Passou causando sufoco.

Deixou apenas seu perfume

Que se apossou do meu rosto.

Eu pedra


Uma pedra imóvel é meu reflexo
É, uma pedra parada no mais alto relevo
Numa montanha onde jaz outras montanhas.

Sou rígido e duro, como as pedras solitário
Como todas as pedras, como todas elas
Vivo do tempo que passa e não amanheço.

Sou a montanha de muitas pedras

Sou a pedra e não me movo.