quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Amor fingido


Ela diz me querer
Ela finge está bem ao meu lado
Sei que é balela, ela finge mal
Seus olhos não brilham e a satisfação de uma mulher
Apaixonada não é transmitida em seus gestos.
Talvez eu esteja observando além das minhas próprias
Imaginações de poeta sem noção.
Ela me conta isso e aquilo
Eu calado estou sempre a ouvir, o silêncio diz tudo
O silêncio é porta voz
Soa bem mais forte que qualquer palavra inverossímil.
Ela fala eu escuto
Meu silêncio pergunta, ela não responde
Vejo um abismo de arrependimento logo à frente
Sinto um falso romantismo me rodear
E lamento por está vivendo um romance
a 100 milhas de distância.
Estou cansado,
Vou atrás dos sentimentos que me procuram
Cansei de oferecer tudo e receber nada.
Danem-se as ponderações do amor,
procuro apenas ser compreendido.
Sou o que sou se não pode me amar
afaste-se de mim, seu fingimento é como o fogo
a me queimar. Se não consegue retribuir o carinho
que te dou tudo bem, mas deixe de ser fingida
e deixe-me a sós, prefiro o silêncio e a solidão
ante a seu amor sem carinho, sem respeito ao
sentimentos dos outros, sem responsabilidade.
Afasta-se por favor,
Afasta-se, não sou homem de adulação.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma bela arte ilumina e expande imaginações


Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o medico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
..........................................................................

O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o
                                              [Pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar um pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

                                                                              Manuel Bandeira

Toda bela arte merece atenção e respeito por parte do apreciador, não sou critico literário, nem tão pouco tenho formação para avaliar qualquer obra poética, mas Manoel Bandeira foi sem duvida um gênio na arte de pescar as palavras e organizar dentro de um texto completo, complexo e inteligente de certa forma a fazer com outros seres voltados para mesma arte pensarem que não a mais o que criar em se falando de poesia. O poema de Manuel Bandeira que me chama mais atenção pelo fato da organização, inteligência e ao mesmo tempo uma auto confissão do que ele sabia mais falar a espera de sua morte que tardou a aparecer felizmente PNEUMOTÓRAX é sem duvidas um dos poemas mais sensacional de Bandeira. Dessa obra prima tomei a licença e criei algo em cima da inteligência de Bandeira com todo respeito.


Licença Poética

Tédio, solidão, medo e sonhos noturnos.
A vida inteira imaginei ser o que não fui.
Dose, dose, dose.

Mandou chamar o destino:
- Diga o que fez.
-O que fiz? O que fiz? O que fiz?
- Imagine.
.....................................................

O senhor tem saudades no peito esquerdo
                           [E o peito direito afetado.
- Então, destino, não é possível o amor entrar pelo tórax?
- Não. A única coisa a fazer é deixar tocar o meu sino.

                                                                   Sedentario

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vida


Então! A vida é isso.
Uma hora está outra já não está
Uma hora é sol outra tempestade
Uma hora é assim outra é assado
Uma hora diz tudo outra não diz bulhufas
A vida é tudo e nada
Às vezes é mais tudo do que nada
Ou mais nada do que tudo.
Exige dos fracos mais do que eles podem dar
Sendo assim esteja à beira de um abismo caótico
E então verá o que a vida sendo suspiro primeiro pode oferecer.
A vida dá e tira, vem e vai, canta e sofre,
Ama e desama. A vida às vezes é borboleta tentado
Levantar voo com um peso de 250g em cada asa.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A espera



Ascendam-me um
charuto estou
a beira da loucura
provisória, quero distanciar-me
dos sustos malévolos de ideias
insanas que consomem minhas
vontades.


Ascendam-me um charuto
coloquem o vinho sobre a mesa
e saiam. O resto é comigo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Seu desenho


Desenhei teu rosto num papel
Tão branco e fino como a seda
Pintei com as cores vivas do céu.

E elas cantaram na ponta do pincel
E ficaram acesas como as labaredas
O desenho ficou fino como o véu.

Desenhei teu rosto no branco celestial

E pintei teu nome na parte principal.



sábado, 21 de agosto de 2010

Novos Horizontes (Engenheiros do Hawaii)



Corpos em movimento
Universo em expansão
O apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais
Vamos dar um tempo
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar

Novos horizontes
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar
Suspender a queda livre
Libertar
O que não tem fim sempre acaba assim

A POESIA QUE ME CONTEM. ENGENHEIROS DO HAWAII NÃO É SÓ MUSICA É POESIA, É ARTE E MAESTRIA DE HUMBERTO GESSINGUER.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eis o sonho


Distante caindo em um buraco sem fundo
Uma nave me alcança e me leva a um planeta
E la os pilhares estão caídos, passam cometas
Pedras voam, metal não tem é outro mundo.

Chovia estrela e iluminava o fim tão profundo
E revelava cada mistério como uma silueta
Ventava poeira, poeira muita, forte e preta
Meus olhos fechavam ao arder assim oriundo.

Vasculhei o vácuo e o ar meio que suprimido
Entrava em minha garganta e a respiração
Saia por entre as narinas sem gesto tímido.

Não tinha casa era uma vasta planície corada
De um vasto capim amarelado sem germinação
Nascia por si só como as flores morriam do nada.

sábado, 10 de julho de 2010

As manhãs da minha vida


 Café com leite, pão com geléia
Todas as manhãs café na mesa
Café quentinho, manhã acesa
O dia nascia de mancinho na cheia

Como o sol amanhecido na Galiléia
nasce também o café preto realeza
entre delicias da grande e espaçosa mesa
pão com manteiga, cuscuz, leite e aveia.

Tenho comigo acordado a cada amanhecer
Na cidade alvoroçada de todas as horas
As saudades do campo ao alvorecer.

Tenho comigo vendo o sol aqui nascer
Aqui neste turbilhão longe das auroras
Saudades do café com leite ao amanhecer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Hibernado entre as montanhas


Um quarto no alto
Portas e janelas fechadas
Nenhum suspiro de fora entra
O único suspiro de dentro não sai.

Dois dias enlaçado ao silêncio
Um mês, um ano, uma vida inteira
O pensamento é as três refeições diárias
O quarto no alto, o suspiro e um gole de saudades.

A vitrola moderna com som e imagem começa a tocar
Sonata ao luar o corpo ganha equilíbrio
Olhos fechados, ouvidos satisfeitos com cada som
                                             [Das teclas do piano.

O vento La fora puxa as folhas da copa das arvores
                                                        [em renovação.
Traz a chuva que respinga na janela despida da cortina
As montanhas de longe revelam a neblina que engole
Metade de sua extensão.

Hibernando ao lado das montanhas
Ao som que flui das mãos geniais de Beethoven
Envergado entre o escuro e o lençol
Estirado no leito fragmentado pelas saudades.

Hibernando entre as montanhas
Incapaz de enfrentar o anacronismo humano para
                                             [comprar um jornal.
Incapaz de deixar o cômodo escuro
Pelo dia La fora cheio de luz e trevas.

Em silêncio ao som do gênio
Em silêncio com o copo na mão e o vinho no estomago
Esquentando o coração vazio e fechado
Em silêncio dorme, distante sonha com o inesperado.

Ao lado da cama um livro rabiscado
Uma caneta sem tinta, um poema desbotado
Ao lado das montanhas um sol inventado
Iluminando um cômodo no alto repleto de grades.



terça-feira, 8 de junho de 2010

Cosntrução


Em uma bicicleta desvendo o mundo em minha vida
Um vasto mundo sem muita grandeza só esperança
Indo com os pensamentos na frente e pedaladas
De forte gigante procurando algo, pasto verde, tempo
Fresco, nuvens limpas, espaço vazio.

Procuro o vento soprante do sul, quero outro caminho
Sem buracos e desnivelamento. O norte não me fugiu
Da memória ainda e tão cedo não esquecerei, sou filho
Do norte, no norte nasci, no norte cresci, tomei tendência
Na vida e foi do norte que parti a procura do sul amontoado
De concreto, empilhamento de casas e barracos entre
Lixos que chumaça o esgoto fétido.

Não tenho na vida nada que tenho nos sonhos, não tiro
Da vida nada desprezível, tiro apenas o que de proveito
Ergue-me tijolo por tijolo com o objetivo único terminar
A obra inacabável, onde jaz um telhado para terminar
E uma vida inteira para povoar.

A vida é assim muitas obras, muitos construtores e nem
Todos conseguem chegar ao telhado.



São Vicente, 17/02/2008

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A liberdade


E se pensar que a vida, que o mundo é gigantesco La fora onde o singelo acontece em terras desconhecidas. E se pensar que é prazeroso levar as liberdades nos ombros curtos e que o sustentáculo dessa liberdade é cada suspiro de emoção, de descoberta, de algo a se unir em constante contemplação esperando o próximo inesperado levantar-se.

E se pensar que um ser tem a possibilidade de viver fora dessa gaiola de mesmice, de hora certa para tudo, de tudo maquinalmente programado. E se pensar que a natureza é grandiosa e viver nos braços dela é como está blindado de proteção, como esquecer toda forma insignificante de respiração, correr o mundo, sair em disparada, surgir em cada aurora em luz de liberdade, sentir o verdadeiro gosto da vida e então inebriar-se com ela sem receio do que possa acontecer na próxima curva. O ir adiante sem medo, sem precaução, hora marcada, sem o não do quase certo.

Abrir os olhos e perceber um novo horizonte aceso em chamas vivas, vários horizontes mágicos e picantes, sem a sinalização ordenando parar no lugar certo na hora certa, sem placas, sem rastos de vida que não seja da natureza. Apagar qualquer contato humano e seguir adiante em busca dos novos horizontes prestes a estourar infinitamente para engrandecer o espírito.

domingo, 6 de junho de 2010

Final de tarde


O canto das gaivotas em revoada
O desabrochar das nuvens
Sobrecarregadas.
O dilúvio se anuncia
O vento sopra
Entre raios e trovões.
A cidade inteira se recolhe
No bolero de um final de tarde
Uma cidade inteira se agasalha.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pose (Anos 90) Humberto Gessinger Engenheiros do Hawaii



Vamos passear depois do tiroteio
Vamos dançar num cemitério de automóveis
Colher as flores que nascerem no asfalto
Vamos todo mundo... tudo que se possa imaginar


Vamos duvidar de tudo que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico
Voltar pra casa num navio fantasma
Vamos todo mundo... ninguém pode faltar


Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
Se não for possível, a gente tenta
Vamos ficar acima, velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa
Vamos esquecer o dia da semana
Tem que ser agora anos 90.


Vamos remar contra a corrente
Desafinar do coro dos contentes
Se não for possível

Se não for importante
Mesmo assim a gente tenta.


Não é pose, não é positivismo
Quanto pior, pior
Não é pose, não passará
Não passaremos por isso


Tô fora voodoo, ranso, baixo astral
Eu não vou perder meu tempo brincando de ser mal
Não vou viver pra sempre nem morrer a toda hora
Como rasgos pré-fabricados num novo velho blue jeans.


Morte anunciada, direitos autorais
Pela tv à cabo uma baleia acaba de nascer
Nascer pode ser uma passagem violenta
O futuro se põe
O passado não se agüenta.
Oooo...oooo..


Meninos e engenhos
Santa ingenuidade
Santíssima trindade: sexo, drogas, rock’n roll.
Oooo..ooo...


É pura pose, faz qualquer coisa
E o pior não é isso
É pura pose, posteridade
E o pior não é isso


Vamos passear depois do tiroteio
Vamos dançar num cemitério de automóveis
Vamos duvidar de tudo que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico.


Lalarala...
Lalarala..
Laralala...
Laralala...
Laralala..


Vamos remar contra a corrente
Desafinar do coro dos contentes
Vamos ficar acima, velejar no mar de lama
Vamos esquecer o dia-a-dia, o dia-a-dia..aaa.


Uma das obras prima de Engenheiros, o Humberto é realmente o melhor compositor de todos os tempos junto a melhor banda de todos os tempo. Viva Engenheiros do Hawai.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Três coisas fundamentais



Não se podem esquecer as três coisas
Que faz o homem demasiado satisfeito:
O poema
O vinho
E a mulher amada.

A esmo



Meu medo endurecido
A voz rouca não sai
Perco o bonde aturdido.

O que ia agora não vai

Eu sem trilhos perdido.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu (Jânio Lima e Lana Parker)


Pássaro voando sem ninho
ser vibrante sem sorte
vento que sopra do norte
vislumbrando o sul sem caminho.

Asas perdidas, num céu infinito
majestoso em sua grandeza
Ser herói, tornar-se um mito
Oceano de esperança, gotas de tristeza.


Em seu longo espaço de vida
umas coisas mortas outras vivas
regem o caminho apenas de ida.
E que tu, Volta. Não sobrevivas.


Partirei eu, então sozinho
Nos dissabores da vida, nos ventos de sorte
Sem a certeza de achar um caminho
Ou de me perder em minha própria morte


Partirei eu, assim escuro
O mundo encolhe e atira
Alguns desejos do muro
E outros que já estão na mira.


Antes de partir peço apenas
Que este não seja mais um mero poema
Que eu seja colibri, posto que és flor.
Te levarei em meus sonhos, meu anjo protetor.

Libertação


Eu disse tudo em poucas e meias palavras
Com a sinceridade de um homem que é atrasado
Por completo quanto à forma moderna
De relacionamento, meu coração foi aberto
E ela não disse nada, nem se quer pensou em
Dizer, nem se quer projetou um repúdio,
Nem se quer me disse não. Ela se foi depois
Voltou e nada disse, ela se foi e nada me disse
Ela voltou e nada trouxe, ela deixou em mim
Uma vírgula infinita, um acre desejo intenso,
Um verbo inconjugável. Ela distante, ela constante,
Ela poeta, ela em minhas próprias características.


Eu disse: Amo-te tão completamente que é indefinível
O eco em meu vale de sangue, de veias, de sentimentos.
Amo-te longamente e esse longamente é definido em
Distância, em desejo, em não te-la e em não tocá-la.
Eu disse o indizível em palavras belas e abelhudas.
Ela me disse com todos os sons imutáveis e intangíveis
Disse-me com o silêncio das palavras agudas e talvez
Planejadas que tudo falado, mostrado e escrito
Poeticamente nunca sairão da vasta planície de fantasia
Existente entre meu ser iludido e o dela sem vestígio.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Outono (Haikai)






O vento sutil
balança além das folhas
secas e murchas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Passarinho do papo amarelo


Um passarinho pousou em minha janela 
e eu chorei com o fato mágico ele pousou
nas grades olhou virando rapidamente a cabeça
num giro de 180° deu um ligeiro voo dentro
de casa e saiu pousou novamente nas grades
olhou para traz e voo emdefinitivo.
Parece que veio de longe para me trazer
uma noticia Entrou deixou a noticia e saiu.

Talvez tenha vindo me trazer
Esta poesia em poucas linhas
Ou talvez só tenha vindo
mostrar-me Como se deve chorar.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

O centro do universo



O que tem uma mulher a oferecer
Além de comida, roupa lavada e sexo?
O que tem ela de extraordianário
Além da postura, da força, da resistência
Do zelo, da coragem e do elo natural?
O que tem ela a encantar
Além da beleza do universo estrelar
Do mar repleto de esplendor
Do sol em luz de gloria?
O que tem ela de poder
Além do ato de gerar
Dar vida, criar, amamentar, amar?
Elas têm algo de mistério
Elas nasceram para lutar com o contra.
Elas todas como Duquesa de Devonshire
Comandaram, comandam e comandarão
Essa paranóia que é a vida.

Inspirado no filme A DUQUESA uma verdadeira representação do que é uma mulher de resistência e coragem vivendo numa sociedade repugnante e indiferente aos sentimentos.
Ela foi bela, ela foi unica, ela foi A DUQUESA.




terça-feira, 30 de março de 2010

Cosmo plagiado



Os astros dançam no infinito cosmo
Enigma cada objeto voador que surge.
O cometa voa entre a terra e o universo.


Deixa a luz só de passagem a luzir
E por um instante desaparecer no sem-fim
O universo e seu incrível poder de fazer levitar.


A deriva do conjunto de mistérios desejados


Pelo ser humano cosmo plagiado.

segunda-feira, 29 de março de 2010

As três vezes em que sair do silêncio (A Midiam Talita Laureano)




Três vezes fui feliz nesse espaço
Comido pelo tempo até aqui onde
Estou no ato de fingir viver.
A primeira vez quando vi meu nome entre
Os melhores da lista que me levaria a cursar
Todo o ensino médio na melhor escola da região.
Meus pais sorriram pra mim e passei dois dias
De insônia completa, risos a solta, pura satisfação.
A segunda vez foi quando fiz meu primeiro gol
Jogando pelo time mirim da minha cidade.
Um gol que me fez ficar mudo externamente
E internamente eufórico ouvindo os gritos
De uma multidão de dez a quinze pessoas
Que assistiam entediados.
A terceira vez não faz mais que alguns meses atrás
Conversei instantaneamente com Midian
Talita Laureano. Ela me foi em vinte segundos
De cada conversa aquela gota de orvalho
Que cai em noite suprema, em cada palavra
Aquele poema verso a verso encantado,
Rimado, infinitamente musicalizados.
E desde o desaparecimento dela da minha
Caixa postal, tem um sino que não para
De tocar a cada sussurrar na noite solida
E dispersa que passa sem presa, que cai
Em mim e me pega de surpresa olhando
As estrelas pela janela.







terça-feira, 23 de março de 2010

Entre o mar e as montanhas

Entre o mar e as montanhas meu soluçar clandestino
Cambaleia por ruas sem nomes, por becos e vielas
Chutando lata vazia, olhando o tempo com vento fino
Contando estrelas destacadas no céu, milhares delas.

Entre as ondas do mar e a neblina do relevo alpino
Ouve-se meu canto sem sintonia da fileira de janelas
Alinhadas em longa extensão em casas de granfinos
Meu grito forte sai em disparada, minha ira se revela.


Ouço vozes a distância, distante, cada vez mais distante
Vozes de jovens em parte escuras de um terreno industrial
Passo por eles de cabeça baixa sinto apenas o cheiro delirante.


Vejo folhas de papeis voarem e um bar na esquina se fechando
Caminho mais alguns metros e vejo mais nada além do canal
E um desejo louco de me atirar sobre suas águas repugnantes.







sexta-feira, 19 de março de 2010

Libertinagem em terras distantes


Ao sons das águas
na filosofia do vento que sopra
no pairar de uma
folha seca voando.

Em uma Austrália distante
que seus aborígenes
faz a magia de encanto
e cativa a terra distante.

A arvore despida
as folhas caidas
a folha seca voando.

O vento soprando
um canguru pulando
e uma folha seca voando.

Manifesto

Gritarei em praça publica
Que todos são filhos da puta
Saio em disparada gritando em consoadas
Os disparates maiores do mundo.
Sem medo de nada.
Amanha irei morrer.


Insultarei o presidente
O papa, o rei, os donos do mundo
Pincharei tudo quanto é muro
Do burguês sacana.
Sem nada a temer
Amanha irei morrer.


Atirarei pedra na vidraça do palácio da alvorada
Vomitarei em cima da bandeira nacional
Urinarei ao pé do Cristo Redentor
Sem medo de nada
Amanha irei morrer.


Entrarei nas filas bancarias
E se ninguém me atender
Mandarei todos se danarem
E saio a exercer meu direito de cidadão
Sem medo dos seguranças
Amanha irei morrer.


Tomarei banho no chafariz da Praça 23 de maio
Se os guardas me barrarem
Jogo-lhes água na farda
E corro em direção aos trens
Nada me conterá
Amanha irei morrer.


E mesmo assim se o exercito consegui me conter
Se os guardas conseguirem me prender
Se o mundo me insultar perversamente
Não darei à mínima
Nada me importara
Amanha irei morrer.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ponto de ônibus



Ponto de ônibus
































-Que horas são?


-Vinte pra oito.


-Obrigado.





















































-Vem vindo dois tomara que seja o nosso.

terça-feira, 16 de março de 2010

Solidão



O copo de vinho sobre a mesa
O poema terminado exalta-se
Na voz tremula sob uma luz acesa.

O ultimo copo de vinho emborca-se

O poema e o poeta embriagados sem defesa.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Onde está?


Onde está a flor?
Aquela encantada do jardim com a beleza
Natural de suas pétalas cristalizadas pela luz solar
E a rebeldia de seu fino caule dançando conforme
A música do vento.

E a mulher cujos princípios não permitem o adultério,
Sublevação aos atos sórdidos da sociedade onde está?
Onde está a mulher que não fere sua honra por prazer?
Mulher angelical, perfeita, amorosa, sentimental.

Onde está o homem?
Aquele repelente a corrupção e incapaz de levantar o braço
A outro homem, incapaz de vociferar palavras de baixo
Nível social, incapaz de deixar sua família para ir ao
Encontro do antro imundo e perdido onde permeiam
Mulheres sedentas no vácuo do prazer implorando o sexo brutal.

Onde está a criança?
A que nasce e cresce sem ouvir palavras sujas, sem presenciar
Imagens de estonteação do homem moderno.
Onde estão elas?
É aquelas que jamais sob todas e qualquer condição é abandonada
Em meio a um lar duvidoso e também aquelas que não vivem
Jogadas pelas calçadas imundas da urbanização crescente.

Não vejo mais o companheiro amigo, parceiro, sentinela da
Amizade que não possui a inveja desanimadora nem a ambição
Nos pensamentos e o capitalismo na alma.
Onde está aquele cara que nos momentos de tristeza cede o
Ombro para chorar e nos momentos de alegria festeja
Com expressividade a vida?
Onde está o cara do peito? O amigo de confiança onde está?

E o amor existe ainda? Então onde está? Onde. Vamos me digam
Onde encontrar o amor limpo, centrifugado, o amor feito a flor
De lis, o amor petrificado, o amor cascatas das cachoeiras que
Cai quebrando-se num pequeno espaço e escorre por caminhos
Curtos até chegar ao destino final. O oceano.
Onde está o amor um com o outro e pela vida? Onde está o
Amor as crianças?

Não vejo mais saudosismo às coisas belas dos momentos felizes.
Onde está a esperança? Não existe mais esperança, existem sim túmulos
Num jardim onde flores na insistência de ver o sol brilhar
Nascem, morrem, nascem,morrem, nascem, morrem...

Dois passos de glória



No maior desenlace da vida
Com a concordância do meu ser
Surge o estupefato
A vida andou dois passos
E não caiu no buraco
Do futuro sem lógica,
Não tropeçou na pedra solta
Do caminho imaginado
E seguido sem a recomendada
Ordem do destino.

O incrível aconteceu
Minha vida andou dois passos
E não caiu.

Seculo XXI


               Inovação aflorando, alavanque em ascensão, velocidade extrema e tecnologia avançada dentro de uma vasta transformação robótica modificada ano após ano. É o futuro aflorando sob os raios de sol da globalização que cobre o mundo inteiro dominado pelo capitalismo que toma ares de prepotente, absoluto, indestrutível em cada pedaço de chão do planeta.

              As informações se alastram e os meios de comunicações conseguem estabelecer transformações que suprem as necessidades globais de caminhada para um futuro de desenvolvimento econômico, político e cultural. As coisas se modificam conforme a urgência dos desejos dos seres humanos que estacionam na parte de crescimento, necessidade, vontade e satisfação de ganâncias pessoais. O mundo no século XXI globalizado e a todo vapor em cada nação. Em uma o pré-sal urge esperando ser despertado de seu leito profundo nas outras, acontecimentos marcantes como a cor que nunca dominou e agora é suprema na potencia mundial e com ela a esperança, já a parte oriental onde o vermelho e o carvão dominam anda se preparando para tomar o lugar de potencia mundial, no oriente médio a chuva de explosão, pavor e morte não param se intensificam mais ainda com idéias suicidas de governantes sem razão que querem com a construção da bomba atômica destruir toda a raça humana.
            O positivo acontece concretamente, mas com ele aparece também o negativo a parte negativa da globalização é a escolha dos países em linha de frente globalmente falando que não se decidam entre o verde e a fumaça, entre o gelo e degelo, entre o ar e a poluição precisa-se de iniciativa estamos no futuro, mas um futuro que caminha burlando as normas de proteção ao meio ambiente e consequência disso é com certeza a intervenção da natureza de forma brutal no meio fisiológico levantado pelo homem. Entramos no século XXI com uma tragédia sem igual no Haiti em que muitos não presenciarão o futuro extraordinário e ao mesmo tempo destruidor. O capitalismo cresce e com eles as formas de poder que repelem um crescimento sustentável incapaz de agredir a natureza e conforme os anos passam fica impossível controlar esse ligeiro avanço da nossa destruição em tempos catastróficos que ainda estão por vir.
           O futuro chegou e com ele as modificações naturais ocasionadas pelo homem, o futuro chegou e o século XXI é prova disso, chegou com surpresas catastróficas, com notícias alarmantes como o pronunciamento do então presidente do Irã Marmud Armadinejad afirmando com total clareza a existência de urânio suficiente para construir uma bomba de destruição em massa se ele está blefando não sei mais que é algo para os EUA e outras nações e o mundo se preocuparem isso eu sei.
           Se o fim do mundo vier a ser mesmo em 2012 como previu os Maias não será de total surpresa visto que esse caminho para o desenvolvimento rompe as estruturas e nos faz sentir o desconsolo de algo sendo ferido extremamente pelas garras dos homens que querem o poder. O século XXI está ai só não sabemos se reinará por muito tempo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Meus sobrinhos


Mexem no armário, derrubam os pratos
Sobem na cama, derrubam os travesseiros
Entram no banheiro, molham-se feitos patos
Derramam todo shampoo embaixo do chuveiro.

A mãe da pia grita: “parem de chutar os gatos
Andem vamos fechem logo este maldito lixeiro
Botem onde vocês acharam estes sapatos
“Nem se atrevam jogar no chão o chaveiro”.

Levam umas boas chineladas choram a gritar
Passam alguns minutos sentados comendo
E esfarelando biscoito e pão na sala e no sofá.

Depois la estão eles pela casa a desarrumar
Na geladeira sem permissão remexendo.
Sobrinhos incansáveis, magia de qualquer lar.









terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Alívio Imediato


O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Libia bombardeada, a libido e o virus
O poder o pudor os lábios e o batom

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão protecão
A Libia bombardeada, a libido e o virus
O poder o pudor os lábios e o batom

Que a chuva caia como uma luva
Um diluvio um delirio
Que a chuva traga alivio imediato
Que a noite caia de repente caia
tão demente quanto um raio
Que a noite traga alívio imediato

Há espaço pra todos ha um imenso vazio
Nesse espelho quebrado por alguém que partiu
A noite cai de alturas impossíveis
E quebra o silêncio e parte o coração

Ha um muro de concreto entre nossos lábios
Ha um muro de Berlin dentro de mim
Tudo se divide todos se separam
Duas Alemanhas duas Coreias
Tudo se divide todos se separam

Que a chuva caia como uma luva
Um dilúvio um delírio
Que a chuva traga alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
tão demente quanto um raio
Que a noite traga alívio imediato

Todos se separam
Tudo se divide
Todos se separam

Que a chuva caia como uma luva
Um diluvio um delirio
Que a chuva traga - alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
tão demente quanto um raio
Que a noite traga - alívio

A melhor banda de pop de todos os tempos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Entre um e outro








A um poema dentro de mim engasgado 
E outro fora de mim vomitado pelo 
                    [desprazer de viver o acaso.
A uma parte de mim ilhada.
E outra tentando desvendar
          [As saídas de um labirinto infinito.
A um poeta que canta o triste sonho acabado
E outro que segue trôpego, mas não desiste.
A um poema dentro de mim que não morre.

Desejos

Feito pipas no céu aberto
Desejos voam entre nuvens
Buscando um mundo disperso
No imaginário indiscreto.

Feito folhas soltas ao vento
A meia altura do chão concreto
Feito pipas no céu aberto
Desejos voam entre nuvens.

Feito sombra num dia de sol
E água num dia de sede
Desejos nascem loucos assim
Ingerindo sonhos libertos
Feito pipas no céu aberto.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Haiti


Ah! Haiti. Antes tantas lamentações
Agora muito mais.
Caíram pedras sobre as pessoas
Caíram pedras sobre a miséria
Sobre a desolação e humilhação de Haiti.

Como dói olhar pra você assim
Destruída sem a raquítica sustentação
Que antes tinha.
Como dói ver a miséria viva
Entre tantos corpos caídos e feridos
Entre tanto sangue derramado.

Ah! Haiti. Vejo-te tão desesperada
Vejo-te agora totalmente desesperançada
Sem perspectiva, sem saída
Vejo-te em lagrimas de suplicas
Aos que sempre se fizeram ausentes.
Como dói, como dói, como dói...!

Agora todos choram por ti
Todos rogam por ti, todos sentem
Por ti. O que será de ti agora?
O que serão dos teus frutos resistentes
A fúria da natureza? Como viverão
Com todos os pilares derrubados,
Com todas as telhas quebradas,
Com todas as ruas empoeiradas
Com todos os sonhos interrompidos?

Ah! Haiti os anos passaram
As coisas só pioram no canto do sofrimento
Uma vida inteira de sofrimento,
Um sofrimento incurável, um sofrimento
Sustentado pela cor, pela miséria, pelo esquecimento.
Haiti o próprio nome deixa claro
A dor que é viver em teu manto
Flagelado e esquecido pelo resto
Do mundo, a dor que salta em um triste HAI!

Ah! Haiti. Antes tantas lamentações
Agora muito mais.
E por ti restam apenas uns tristes HAIS!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sexo sem vergonha


O sexo nas alturas
O sexo para toda forma de vida
Não tem fronteiras
Não tem barreiras
Não tem lugar
Nem hora certa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A vida


Comendo as horas
esquecendo pensamentos;
refazendo caminhos;
pisando em espinhos;
naufragando sonhos;
revivendo tudo;
soltando lagrimas fingidas;
apressando a vida,
essa vida sem pressa
vida de quem ama e sofre.