quinta-feira, 29 de abril de 2010

Três coisas fundamentais



Não se podem esquecer as três coisas
Que faz o homem demasiado satisfeito:
O poema
O vinho
E a mulher amada.

A esmo



Meu medo endurecido
A voz rouca não sai
Perco o bonde aturdido.

O que ia agora não vai

Eu sem trilhos perdido.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu (Jânio Lima e Lana Parker)


Pássaro voando sem ninho
ser vibrante sem sorte
vento que sopra do norte
vislumbrando o sul sem caminho.

Asas perdidas, num céu infinito
majestoso em sua grandeza
Ser herói, tornar-se um mito
Oceano de esperança, gotas de tristeza.


Em seu longo espaço de vida
umas coisas mortas outras vivas
regem o caminho apenas de ida.
E que tu, Volta. Não sobrevivas.


Partirei eu, então sozinho
Nos dissabores da vida, nos ventos de sorte
Sem a certeza de achar um caminho
Ou de me perder em minha própria morte


Partirei eu, assim escuro
O mundo encolhe e atira
Alguns desejos do muro
E outros que já estão na mira.


Antes de partir peço apenas
Que este não seja mais um mero poema
Que eu seja colibri, posto que és flor.
Te levarei em meus sonhos, meu anjo protetor.

Libertação


Eu disse tudo em poucas e meias palavras
Com a sinceridade de um homem que é atrasado
Por completo quanto à forma moderna
De relacionamento, meu coração foi aberto
E ela não disse nada, nem se quer pensou em
Dizer, nem se quer projetou um repúdio,
Nem se quer me disse não. Ela se foi depois
Voltou e nada disse, ela se foi e nada me disse
Ela voltou e nada trouxe, ela deixou em mim
Uma vírgula infinita, um acre desejo intenso,
Um verbo inconjugável. Ela distante, ela constante,
Ela poeta, ela em minhas próprias características.


Eu disse: Amo-te tão completamente que é indefinível
O eco em meu vale de sangue, de veias, de sentimentos.
Amo-te longamente e esse longamente é definido em
Distância, em desejo, em não te-la e em não tocá-la.
Eu disse o indizível em palavras belas e abelhudas.
Ela me disse com todos os sons imutáveis e intangíveis
Disse-me com o silêncio das palavras agudas e talvez
Planejadas que tudo falado, mostrado e escrito
Poeticamente nunca sairão da vasta planície de fantasia
Existente entre meu ser iludido e o dela sem vestígio.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Outono (Haikai)






O vento sutil
balança além das folhas
secas e murchas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Passarinho do papo amarelo


Um passarinho pousou em minha janela 
e eu chorei com o fato mágico ele pousou
nas grades olhou virando rapidamente a cabeça
num giro de 180° deu um ligeiro voo dentro
de casa e saiu pousou novamente nas grades
olhou para traz e voo emdefinitivo.
Parece que veio de longe para me trazer
uma noticia Entrou deixou a noticia e saiu.

Talvez tenha vindo me trazer
Esta poesia em poucas linhas
Ou talvez só tenha vindo
mostrar-me Como se deve chorar.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

O centro do universo



O que tem uma mulher a oferecer
Além de comida, roupa lavada e sexo?
O que tem ela de extraordianário
Além da postura, da força, da resistência
Do zelo, da coragem e do elo natural?
O que tem ela a encantar
Além da beleza do universo estrelar
Do mar repleto de esplendor
Do sol em luz de gloria?
O que tem ela de poder
Além do ato de gerar
Dar vida, criar, amamentar, amar?
Elas têm algo de mistério
Elas nasceram para lutar com o contra.
Elas todas como Duquesa de Devonshire
Comandaram, comandam e comandarão
Essa paranóia que é a vida.

Inspirado no filme A DUQUESA uma verdadeira representação do que é uma mulher de resistência e coragem vivendo numa sociedade repugnante e indiferente aos sentimentos.
Ela foi bela, ela foi unica, ela foi A DUQUESA.