quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Amor fingido


Ela diz me querer
Ela finge está bem ao meu lado
Sei que é balela, ela finge mal
Seus olhos não brilham e a satisfação de uma mulher
Apaixonada não é transmitida em seus gestos.
Talvez eu esteja observando além das minhas próprias
Imaginações de poeta sem noção.
Ela me conta isso e aquilo
Eu calado estou sempre a ouvir, o silêncio diz tudo
O silêncio é porta voz
Soa bem mais forte que qualquer palavra inverossímil.
Ela fala eu escuto
Meu silêncio pergunta, ela não responde
Vejo um abismo de arrependimento logo à frente
Sinto um falso romantismo me rodear
E lamento por está vivendo um romance
a 100 milhas de distância.
Estou cansado,
Vou atrás dos sentimentos que me procuram
Cansei de oferecer tudo e receber nada.
Danem-se as ponderações do amor,
procuro apenas ser compreendido.
Sou o que sou se não pode me amar
afaste-se de mim, seu fingimento é como o fogo
a me queimar. Se não consegue retribuir o carinho
que te dou tudo bem, mas deixe de ser fingida
e deixe-me a sós, prefiro o silêncio e a solidão
ante a seu amor sem carinho, sem respeito ao
sentimentos dos outros, sem responsabilidade.
Afasta-se por favor,
Afasta-se, não sou homem de adulação.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma bela arte ilumina e expande imaginações


Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o medico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
..........................................................................

O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o
                                              [Pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar um pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

                                                                              Manuel Bandeira

Toda bela arte merece atenção e respeito por parte do apreciador, não sou critico literário, nem tão pouco tenho formação para avaliar qualquer obra poética, mas Manoel Bandeira foi sem duvida um gênio na arte de pescar as palavras e organizar dentro de um texto completo, complexo e inteligente de certa forma a fazer com outros seres voltados para mesma arte pensarem que não a mais o que criar em se falando de poesia. O poema de Manuel Bandeira que me chama mais atenção pelo fato da organização, inteligência e ao mesmo tempo uma auto confissão do que ele sabia mais falar a espera de sua morte que tardou a aparecer felizmente PNEUMOTÓRAX é sem duvidas um dos poemas mais sensacional de Bandeira. Dessa obra prima tomei a licença e criei algo em cima da inteligência de Bandeira com todo respeito.


Licença Poética

Tédio, solidão, medo e sonhos noturnos.
A vida inteira imaginei ser o que não fui.
Dose, dose, dose.

Mandou chamar o destino:
- Diga o que fez.
-O que fiz? O que fiz? O que fiz?
- Imagine.
.....................................................

O senhor tem saudades no peito esquerdo
                           [E o peito direito afetado.
- Então, destino, não é possível o amor entrar pelo tórax?
- Não. A única coisa a fazer é deixar tocar o meu sino.

                                                                   Sedentario

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vida


Então! A vida é isso.
Uma hora está outra já não está
Uma hora é sol outra tempestade
Uma hora é assim outra é assado
Uma hora diz tudo outra não diz bulhufas
A vida é tudo e nada
Às vezes é mais tudo do que nada
Ou mais nada do que tudo.
Exige dos fracos mais do que eles podem dar
Sendo assim esteja à beira de um abismo caótico
E então verá o que a vida sendo suspiro primeiro pode oferecer.
A vida dá e tira, vem e vai, canta e sofre,
Ama e desama. A vida às vezes é borboleta tentado
Levantar voo com um peso de 250g em cada asa.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A espera



Ascendam-me um
charuto estou
a beira da loucura
provisória, quero distanciar-me
dos sustos malévolos de ideias
insanas que consomem minhas
vontades.


Ascendam-me um charuto
coloquem o vinho sobre a mesa
e saiam. O resto é comigo.