domingo, 25 de dezembro de 2011

Cidade



Uma casa erguida;
duas casas erguidas;
três casas erguidas;
um mutirão de casas erguidas
todas juntas,
unidas num mesmo plano de fundo
num mesmo padrão de vida.

Uma casa erguida;
duas casas erguidas;
três casas erguidas;
uma vastidão de casas erguidas
uma cidade formada
vidas são vidas.


São Vicente, 01/06/08


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Monotonia




Daqui a pouco vai chover,
Daqui a pouco também o pão estará pronto,
E o café estará cheirando,
A mesa preparada para o jantar.

Daqui a pouco estará chegando à hora de dormir.
As luzes se apagarão,
Mas a solidão não se apagará
A solidão nunca se apaga.
O coração continuará vazio e sombrio.
As mãos continuarão a bailar no ar
A procura do que tocar.
As mãos vazias do desejo.

Daqui a pouco fará frio
Daqui a pouco o vento soprará forte
Tão forte quanto o desejo de desaparecer dessa vida
Monótona que se estende em mim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O filme que tocou a minha alma

 

 "Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: acho que você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar. Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro. A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências."

                    (do filme Na Natureza Selvagem)



 "Você sabe, falo de livrar-se desta sociedade doente... Sabe o que eu não entendo? Porque as pessoas, todas as pessoas, são sempre tão más umas com as outras. Não faz sentido. Julgamento. Controle. Todas estas coisas... De que pessoas estamos falando? Você sabe, pais, hipócritas, políticos, canalhas."



"Dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade total. Um extremista. Um inusitado viajante cujo lar é a estrada. Fugiu de Atlanta. Não deseja voltar porque o Oeste é o melhor. E agora depois de dois anos de caminhada aproxima-se a grande e final aventura. A culminante batalha para matar o falso ser interior e vitoriosamente concluir a revolução espiritual. Dez dias e noites de comboios de mercadorias e de boléias trazem-no para o grande norte branco. Sem continuar a ser envenenado pela civilização ele foge e caminha solitário pela terra para se perder em meio à natureza selvagem."


"Venho pensando cada vez mais que deverei ser sempre um caminhante solitário da natureza. Meu Deus, como a trilha me atrai. Você não pode compreender esse incansável fascínio. Ao cabo de tudo, a trilha solitária é o melhor. [...] Jamais deixarei de vaguear. E quando chegar o momento de morrer, encontrarei o lugar mais selvagem, mais solitário, mais desolado que exista."

 


Um filme que agarra sua alma e a mantem presa por muito tempo em um universo de beleza, coragem, aventura, sabedoria e uma filosofia de vida inspiradora.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ópera



É um drama complexo e indefinível
A vida de um homem que leva no peito
Um amor que está perto e distante.

Essa dança de ver e não ver inaudível
O instante de riso no coração estreito
Essa vida de dois infratores amantes.

Vejo-te como o céu tão distante

Quero-te agora, aqui, neste instante.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Do combustível necessário




O tempo presente engana-me.
É assim como um bote a vida que me leva.
A garoa do fim de tarde é uma lembrança distante
De quando ainda tinha a imensidão dos campos para correr.
Existe, sei que existe uma conspiração entre o presente e o futuro
Que não me deixa em paz, que não permite que volte ou que ande no ritmo.
Talvez voltar eu não queira, nem estacionado quero ficar, pois o sedentarismo
Atrofia e também faz estacionar os pensamentos. A ilusão é um dos meus medos.
É como deitar e dormir sem perceber e acordar assustado cheio de pavor.
Preciso do combustível que a geração passada abasteceu os ânimos
E passaram a viver a vida intensamente, sem medo, sem dúvida,
Sem desespero, sem agonia. Talvez nada tenha sentido,
Mas o nada está aqui diante dos meus olhos.
Eu posso ver, posso sentir, está em mim.
Vivo, mas o tempo renega-me.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Original é o poeta




Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.


Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.


Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

                 Ary do Santos

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Song For You (Rey Charles)




Eu tive muitas colocações na minha vida e no tempo
Eu já fiz muitas canções,eu já fiz algumas rimas más
Eu atuava ausente em fases da minha vida
Com dez mil pessoas assistindo
Mas nós estamos sozinhos agora e eu estou cantando esta canção pra você

Eu sei que sua imagem de mim é o que eu espero ser,baby
Eu fui grosseiro com você,mas menina,você não pode ver
Não há ninguém mais importantes para mim
Então querida,você não pode por favor olhar através de mim?
Porque nós estamos sozinhos agora e eu estou cantando esta canção pra você


Vocês me ensinou segredos preciosos da vida,withholdin'nothin'*
Você vinha para fora em frente e eu estava escondido
Mas agora eu sou um tanto melhor desta forma se minhas palavras nçao vierem junto
Escute a melodia por meu amor está se escondendo


Eu amo você num lugar onde não há espaço ou tempo
Eu amo você para minha vida,porque você é uma amiga minha
E quando minha vida chegar ao fim,lembre-se no tempo em que nós estivemos juntos
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção pra você


Eu te amo num lugar onde não há espaço ou tempo
Eu amei você para minha vida,sim,você é uma amiga minha
E quando minha vida chegar ao fim,lembre-se no tempo em que nós estivemos juntos
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção pra você,sim
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando essa canção pra você,baby
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção,
Cantando minha canção,cantando minha canção,cantando minha canção,
cantando minha canção

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A vida sem fim




Suspiro calado.
Sopro frio
Vento gelado
Um mundo inventado.
Atrás do gênio
O gol de placa
A frente dele
Só mais um obstáculo
E o esbarro.
Entre o poema e o poeta
Um som;
Um verbo imperfeito
Um cacófato;
Um insulto;
Um fragmento.
Entre a vida e o homem
Um abismo;
O universo;
Uma faísca;
Uma pedra;
A topada;
O espinho
E as dores
Acomodadas
Na pele.
Entre os sexos opostos
Atração;
União;
Traição;
Desejo
E a grande luz
Do nascimento
O nascimento
Da tragédia
Em dor e lágrimas
A vida nunca acaba.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Assim eu vou




Em passos lentos;
Em dia frio;
Em noite sádica;
Em tempos perversos.
Alimentando uma utopia íngreme,
Fosca e um tanto torta.
Bambeando os corações insanos.

Assim eu vou suspirando com ar preso,
Expressão nebulosa,
Coração sem freio,
Solidão devassa,
Escuridão sem fim.

Vou traindo as horas
Afastando-se dos homens,
Afastando-se de tudo,
Embrulhando os dias em um pacote
                   [de poucas lembranças.

Meu tempo se foi ou nunca existiu?
Vou tentando calibrar as respostas
Firme como um prego cravado na estaca.
Vou assim
Sem ninguém
Sem mim
Em um tempo de poucas memórias.

O tempo é uma joaninha



O frio do tempo. Um tempo calado, mudo, desonrado.
O ônibus lotado, uma menina se contorce incomodada
Com alguma coisa, talvez seja as pessoas esbarrando
E pisando em seu pé. A vontade de vomitar surge em mim,
Odeio ônibus, odeio esse para para desgraçado em cada
Sinal, em cada ponto. A joaninha caminhando na janela em que
Um homem tenta interceptar seu caminho deixando-a encurralada.
A criança dorme, a outra impaciente não para quieta, o frio torna-se
calor e a mistura dos infinitos perfumes geram odores insuportáveis,
a vontade de vomitar retorna, o suco gástrico começa a entrar
em ebulição, a cabeça aperta e uma dor começa a travar as ideias.
Volta a ficar frio, torno a por o casaco, a joaninha continua na busca
Desesperada por uma saída, mas o homem é insistente e continua
A pôr o dedo em cada lado que ela decide ir. Uma moça bonita sobe
E passa a ser a distração de alguns telespectadores. O relógio marca
15h45 estou abobalhado de tanto sono nem percebo que a joaninha
Consegue desviar e passa por entre os dedos do homem encontra
a janela com uma pequena abertura e bate suas asas para longe,
bem longe dos dedos inconvenientes. Meu ponto se aproxima
antes disso ainda olho para confirmar se a joaninha realmente se foi.

sábado, 2 de julho de 2011

Vida de menino


Sentido controverso sempre em direção ao caos urbano, sempre com o desejo atiçado na mente de deslumbrar o mundo, conhecer pessoas diferentes com suas culturas, outras instancias, outras filosofias, outras rebeldias. Desde menino sonhador, viajante do mundo, do fantasioso, lembro bem de quando minha mãe me chamava e eu nem escutava distraído com os desenhos que pintava e os sonhos que me penetravam a memória, só após o grito estrondoso que ela soltava ao ponto de romper meus tímpanos.
-Inácio..., Inácio..., Inaciooo...! Eu respondia todo assustado,
-Estou ouvindo mamãe.
-Se estivesse ouvindo não teria me deixado gritar, vem logo se vestir ta na hora de ir ao médico, não deixe chamar outra vez. E eu levantava com um pouco de pânico ir ao médico é sinal de que tem alguma coisa errada em mim e só de pensar isso já arrepiava todo, era só um exame de sangue desses que detectam vermes não tinha porque temer. É tão demoroso levantar, depois se contorcer dos pés a cabeça, aprendi com minha irmã toda vez que acorda é essa mesma peripécia de alongamento, mas também levantei com um pouco de felicidade pelo sonho de ante mão que tive não lembro muito bem dos sonhos, mas eram sonhos distantes, conhecedor do mundo, cheios de desejos, cheios de promessas, cheios de contentamentos e alegorias. Ir ao extremo da vida, sem medo dos acontecimentos que surgem, sem medo das saudades, nem mesmo das barreiras que nascem fácil, dos acontecimentos que rompem sentimentos e das necessidades que se tornam presentes no momento exato da exaustão de tudo.

Tentei aproveitar o máximo as conversas que tive com meu pai sobre o mundo lá fora, conversas curtas, mas que não deixaram de ser conversas, conversas frias, conversas quase e somente por gestos, principalmente de minha parte pedra agonizante que sempre fui. Meu pai me dizia sempre que conversávamos.

-Nada nesta vida é de graça, sonhar é maravilhoso pena que custe tão caro por em pratica alguns deles. Eu fui sonhador assim como você, sonhava ser jogador de futebol eram profundo cada sonho, ficava boquiaberto com cada gol do rei, com cada drible do Garrincha, tentava imitá-los no campinho que eu e seu tio construímos aqui onde agora é nossa casa, éramos os melhores, eu, seu tio, Everaldo, Sabino, Cardoso, Josafá, Amilton, Tonho, Arlindo, Pedrão e Dede grande Dede, grande goleiro. Formamos um time imbatível aqui na região. Eu boquiaberto ficava com todas aquelas lembranças e imaginava todos aqueles homens já vividos, todos aqueles que meu pai falava como se estivesse montando o time para jogar uma pelada naquele exato momento, homens do passado distante e descente, homens esquecidos pela juventude. Hoje não correria mais que poucos minutos em câmera lenta.

Hoje meu pai não consegue com seus sessenta anos equilibrar a bola nos pés como antes sitiado em seu antigo sonho de ser astro da bola. Vejo-me com o meu, longe de acontecer, às coisas nem se modificaram ainda, sinto ainda bastante necessidade de pai e mãe chego da escola minha mãe põe o prato na mesa: feijão, arroz, farinha se quisesse, duas bananas e frango cozido sempre o frango cozido não podia faltar na mesa. Acabando de comer o caminho era as sombras das fruteiras que eram muitas, mas a que mais gostava sem dúvida era a da jaqueira, subia e ficava a pensar na vida de tanta coisa para acontecer. De lá via meu pai chegando do trabalho e corria a ajudá-lo regar as verduras tirava água do poço e molhava diretamente os pés de alface, couve, coentro, quiabo tudo bem distribuído em leiras grandes. Eram duas atividades em casa que meu pai fazia quando chegava do trabalho regar as verduras e rodar todo o terreno para ver se estava tudo bem e sempre vinha com uma novidade era umas formigas que estavam ultrapassando para nossas terras vindas do terreno vizinho ou algo que tinha por fazer e nem eu nem meu irmão fizemos. A noite comia do cuscuz e café que meu pai aprontava enquanto minha mãe não desgrudava da TV assistindo novela, meu pai gostava de cozinhar pelo menos fazer o café, café bom o café vindo do fogo a lenha, depois a cama estava pronta para logo cedo ir à escola.

Descobrir que a vida de menino é filosofia pura aflorando em desejos loucos de experimentação as coisas mais singelas dentro das aprovações de seus pais que são no início da vida professores rígidos buscando sempre a educação decisiva e definitivamente, ensinado conter e se proteger dos perigos dessa vida que são de mais, ensinando a me virar sozinho e que o auxílio a eles viesse a ser apenas para o indispensável.Vida de menino, vidas assim crescendo bem moldada para deixar na face enrugada dos pais o orgulho e satisfação de que tudo ensinado foi seguido mesmo tão longe, sozinho, sofrendo, mesmo com a nostalgia dos tempos antigos, dos tempos de moleque correndo na beira do rio, no quintal de casa, nas proximidades dos pais, queridos pais.

sábado, 18 de junho de 2011

Dias




Os
Dias
Passam
A estação muda
O sedentário sobrevive
Acomodado em suas próprias dores.
                                                    

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Clarisse


 Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...

Renato Russo do álbum Uma Outra Estação

Ouvir Legião ainda nos conecta com a beleza poética que agarrou Renato Russo totalmente e nos leva para outra estação.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Graziela

Quando avistei Graziela pela primeira vez
Vi em seu rosto a caricatura de uma psicopata sexual
Colado em sua longa extensão em forma de globo
Com os maiores continentes banhados de ondulações.
Quando encontrei Graziela pela segunda vez
Já foi mostrando seu lado biscate
E sem precisar pechinchar me deu seu número
Toda exibida se sentindo a poderosa.
Quando conversei com Graziela pela terceira vez
Ela se declarou pra mim como já tinha feito
Com infinitos ao mesmo tempo.
Depois disso: Ela não mais conversou comigo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A conquista do espelho ENGENHEIROS DO HAWAII


Eu roubei esses versos
Como quem rouba pão
Com a mão urgente
Com urgência no coração
Eu contei stórias
Inventei vitórias
Como quem tem preguiça
Como quem faz justiça
Com as próprias mãos


Eu roubei quase tudo que eu tenho
Só pra chamar a atenção
E, quando cheguei em casa
Vi que lá morava um ladrão
Eu perdi quase tudo que eu tinha
A paz
A paciência
A urgência que me levava pela mão


Uma noite interminável
Numa cela escura
!!! sentido !!!
... senhores...
Censores sem poder de censura
O ruído dos motores
Numa sala de torturas
.... senhoras e senhores...
Censores sem talento sensorial
Nunca mais saiu da minha boca
O gosto amargo da palavra traição
Nunca mais saiu da minha boca
Nenhum elogio a nenhuma paixão


Uma noite mal dormida
Um país em maus lençóis
Sem sono
Sem censura
100% de nada não é nada:
É muito pouco


Sem sono
Sem censura
100% de nada não é nada:
É muito pouco

                                                  Humberto Gessinger

sábado, 7 de maio de 2011

Um amor tão firme quanto prego na areia


Já fazia mais de duas semanas que não se viam
Ele louco de saudades dela, não via à hora de reencontrá-la.
E finalmente quando houve uma brecha entre o trabalho e a faculdade
Resolveu ligar pra ela para marcar de se encontrarem.
-Oi! Liguei só para saber se posso ir até ai te ver?
-Não, não precisa. Bjs!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Eis a vida


Estas chinelas jogadas no canto da sala
E a toalha molhada estendida no varal
A janela aberta e a chuva lá fora resvala
Diretamente na cortina balançando no vitral.

Esta goteira sem concerto que estala
Ao cair insistentemente no piso meio oval
E os ratos brigando no teto que não cala
Eles roem o revestimento pela lateral.

Essa vida assim meio que equidistante
Deitada na cama sem a constante amar
Dia e noite, noite, e dia amargo semblante.

Essa mente difícil, confusa e distante
Esse mundo pequeno em repleto mal estar
Nesse quarto que me é eterno e fiel amante.

sábado, 23 de abril de 2011


O pensante leva sempre uma expressão de dor e solidão em sua face.

domingo, 3 de abril de 2011

Amadurecendo


Desde menino canto a poesia indiferente
A poesia incompleta dos livros de gramática.
Os livros nunca foram pra mim enfeite de estante
Estive em toda minha infância apegado aos livros
Poucos livros que me alcançavam e não eu a eles
Lembro de minha mãe gritando:
-Para de estudar você vai acabar enlouquecendo
Ainda vai estragar a vista.
Nunca precisei usar óculos para ser bom leitor
Sempre fui leitor alvoroçado
Tentando alcançar o fim aumentando a velocidade da leitura
Sem se preocupar com o atropelo as palavras.
Hoje bem sei que uma boa leitura é aquela
Em que os olhos se encarregam de passar as páginas.
E que a poesia completa
Aquela curta e certa
Encontra-se em todas as vidas completas e incompletas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De um poeta leitor para uma musa poeta


A inocência tua carrega um olhar
De força capaz de mover qualquer objeto.
O teu poema embebeda o pássaro no ar
Que sobrevoa vago procurando um trajeto.

O compasso entre os dedos seus
Em cada palavra ganha som e forma
No papel desbotado dos céus
É algo divino que não precisa reforma.

O luar em teus versos é imensidão
Dentro da madrugada solida e estática
Amparando a coruja e a solidão
Em estado de aflição e loucura intacta.

Seu verso é dor no rebelde coração
De um poeta adormecido pela comovente
E mais bela arte traduzida em paixão.
Sua poesia é vício em sentimento ardente.

Carrego-a com a paixão de um amante
Na lucidez de uma vida sem elo algum de certeza.
Aprecio cada rima como cada diamante.
Lapidado em seu último grau de beleza.

Leio-te porque ES deusa de raios e trovões
Leio-te porque ES à noite carregando todo encanto
Da lua, dos cometas e do universo em constelações.
Leio-te porque tua poesia em mim é pranto.

Tua poesia é assovio no vento doce e belo
É pluma no vácuo elástico leve e liberto.
Tua poesia é chama em fogo queimando o elo
Das coisas fúteis que engrandece o ser incerto.

Leio-te pelo simples fato de querer o mágico
Entre as pequenas coisas que são esquecidas.
Leio-te em busca de um universo que não seja trágico
Leio-te pela sensação plácida de alguns suicidas.

Véu que cobre e escorre pela serenidade acesa
Força além de qualquer outra força existente
Tua poesia é luz ofuscando sobre a mesa.
Tua poesia é crepúsculo no fim resistente.

Leio-te pelo desejo nascente das palavras tuas
Que me ergue sabiamente até os ares.
Leio-te e levo-te comigo entre as ideias nuas
No céu infinito da poesia que sustenta meus pesares.