terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De um poeta leitor para uma musa poeta


A inocência tua carrega um olhar
De força capaz de mover qualquer objeto.
O teu poema embebeda o pássaro no ar
Que sobrevoa vago procurando um trajeto.

O compasso entre os dedos seus
Em cada palavra ganha som e forma
No papel desbotado dos céus
É algo divino que não precisa reforma.

O luar em teus versos é imensidão
Dentro da madrugada solida e estática
Amparando a coruja e a solidão
Em estado de aflição e loucura intacta.

Seu verso é dor no rebelde coração
De um poeta adormecido pela comovente
E mais bela arte traduzida em paixão.
Sua poesia é vício em sentimento ardente.

Carrego-a com a paixão de um amante
Na lucidez de uma vida sem elo algum de certeza.
Aprecio cada rima como cada diamante.
Lapidado em seu último grau de beleza.

Leio-te porque ES deusa de raios e trovões
Leio-te porque ES à noite carregando todo encanto
Da lua, dos cometas e do universo em constelações.
Leio-te porque tua poesia em mim é pranto.

Tua poesia é assovio no vento doce e belo
É pluma no vácuo elástico leve e liberto.
Tua poesia é chama em fogo queimando o elo
Das coisas fúteis que engrandece o ser incerto.

Leio-te pelo simples fato de querer o mágico
Entre as pequenas coisas que são esquecidas.
Leio-te em busca de um universo que não seja trágico
Leio-te pela sensação plácida de alguns suicidas.

Véu que cobre e escorre pela serenidade acesa
Força além de qualquer outra força existente
Tua poesia é luz ofuscando sobre a mesa.
Tua poesia é crepúsculo no fim resistente.

Leio-te pelo desejo nascente das palavras tuas
Que me ergue sabiamente até os ares.
Leio-te e levo-te comigo entre as ideias nuas
No céu infinito da poesia que sustenta meus pesares.