segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ópera



É um drama complexo e indefinível
A vida de um homem que leva no peito
Um amor que está perto e distante.

Essa dança de ver e não ver inaudível
O instante de riso no coração estreito
Essa vida de dois infratores amantes.

Vejo-te como o céu tão distante

Quero-te agora, aqui, neste instante.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Do combustível necessário




O tempo presente engana-me.
É assim como um bote a vida que me leva.
A garoa do fim de tarde é uma lembrança distante
De quando ainda tinha a imensidão dos campos para correr.
Existe, sei que existe uma conspiração entre o presente e o futuro
Que não me deixa em paz, que não permite que volte ou que ande no ritmo.
Talvez voltar eu não queira, nem estacionado quero ficar, pois o sedentarismo
Atrofia e também faz estacionar os pensamentos. A ilusão é um dos meus medos.
É como deitar e dormir sem perceber e acordar assustado cheio de pavor.
Preciso do combustível que a geração passada abasteceu os ânimos
E passaram a viver a vida intensamente, sem medo, sem dúvida,
Sem desespero, sem agonia. Talvez nada tenha sentido,
Mas o nada está aqui diante dos meus olhos.
Eu posso ver, posso sentir, está em mim.
Vivo, mas o tempo renega-me.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Original é o poeta




Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.


Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.


Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

                 Ary do Santos

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Song For You (Rey Charles)




Eu tive muitas colocações na minha vida e no tempo
Eu já fiz muitas canções,eu já fiz algumas rimas más
Eu atuava ausente em fases da minha vida
Com dez mil pessoas assistindo
Mas nós estamos sozinhos agora e eu estou cantando esta canção pra você

Eu sei que sua imagem de mim é o que eu espero ser,baby
Eu fui grosseiro com você,mas menina,você não pode ver
Não há ninguém mais importantes para mim
Então querida,você não pode por favor olhar através de mim?
Porque nós estamos sozinhos agora e eu estou cantando esta canção pra você


Vocês me ensinou segredos preciosos da vida,withholdin'nothin'*
Você vinha para fora em frente e eu estava escondido
Mas agora eu sou um tanto melhor desta forma se minhas palavras nçao vierem junto
Escute a melodia por meu amor está se escondendo


Eu amo você num lugar onde não há espaço ou tempo
Eu amo você para minha vida,porque você é uma amiga minha
E quando minha vida chegar ao fim,lembre-se no tempo em que nós estivemos juntos
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção pra você


Eu te amo num lugar onde não há espaço ou tempo
Eu amei você para minha vida,sim,você é uma amiga minha
E quando minha vida chegar ao fim,lembre-se no tempo em que nós estivemos juntos
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção pra você,sim
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando essa canção pra você,baby
Nós estavamos sozinhos e eu estava cantando minha canção,
Cantando minha canção,cantando minha canção,cantando minha canção,
cantando minha canção

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A vida sem fim




Suspiro calado.
Sopro frio
Vento gelado
Um mundo inventado.
Atrás do gênio
O gol de placa
A frente dele
Só mais um obstáculo
E o esbarro.
Entre o poema e o poeta
Um som;
Um verbo imperfeito
Um cacófato;
Um insulto;
Um fragmento.
Entre a vida e o homem
Um abismo;
O universo;
Uma faísca;
Uma pedra;
A topada;
O espinho
E as dores
Acomodadas
Na pele.
Entre os sexos opostos
Atração;
União;
Traição;
Desejo
E a grande luz
Do nascimento
O nascimento
Da tragédia
Em dor e lágrimas
A vida nunca acaba.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Assim eu vou




Em passos lentos;
Em dia frio;
Em noite sádica;
Em tempos perversos.
Alimentando uma utopia íngreme,
Fosca e um tanto torta.
Bambeando os corações insanos.

Assim eu vou suspirando com ar preso,
Expressão nebulosa,
Coração sem freio,
Solidão devassa,
Escuridão sem fim.

Vou traindo as horas
Afastando-se dos homens,
Afastando-se de tudo,
Embrulhando os dias em um pacote
                   [de poucas lembranças.

Meu tempo se foi ou nunca existiu?
Vou tentando calibrar as respostas
Firme como um prego cravado na estaca.
Vou assim
Sem ninguém
Sem mim
Em um tempo de poucas memórias.

O tempo é uma joaninha



O frio do tempo. Um tempo calado, mudo, desonrado.
O ônibus lotado, uma menina se contorce incomodada
Com alguma coisa, talvez seja as pessoas esbarrando
E pisando em seu pé. A vontade de vomitar surge em mim,
Odeio ônibus, odeio esse para para desgraçado em cada
Sinal, em cada ponto. A joaninha caminhando na janela em que
Um homem tenta interceptar seu caminho deixando-a encurralada.
A criança dorme, a outra impaciente não para quieta, o frio torna-se
calor e a mistura dos infinitos perfumes geram odores insuportáveis,
a vontade de vomitar retorna, o suco gástrico começa a entrar
em ebulição, a cabeça aperta e uma dor começa a travar as ideias.
Volta a ficar frio, torno a por o casaco, a joaninha continua na busca
Desesperada por uma saída, mas o homem é insistente e continua
A pôr o dedo em cada lado que ela decide ir. Uma moça bonita sobe
E passa a ser a distração de alguns telespectadores. O relógio marca
15h45 estou abobalhado de tanto sono nem percebo que a joaninha
Consegue desviar e passa por entre os dedos do homem encontra
a janela com uma pequena abertura e bate suas asas para longe,
bem longe dos dedos inconvenientes. Meu ponto se aproxima
antes disso ainda olho para confirmar se a joaninha realmente se foi.