terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Um mendigo sem sapato



Um sapato dispensado na rua
E o dono do sapato deve de está
Por ai à toa, a vida acolhe os homens à toa,
Deitado na calçada coberto por um jornal
E de pensar que ele próprio já leu o jornal
Sentado na varanda em sua cadeira especial.
O homem trôpego sem um sapato e sem
Nenhum destino, homem sombra. O sol
Nasce, mas ele prefere à noite crua em sua lua
Desvanecida sob o relento infinito.
A beira de um abismo existencial estende a mão
Ao primeiro que passa e não recebe nem se quer
Um olhar humano, um olhar de bicho para bicho,
Outra mão não alcança a sua nessa extrema distância
Entre almas desconexas com a realidade.
O sinal pode ser uma esperança, mas os vidros
Estão todos fechados, o sinal trabalha rápido
E os ônibus estão vazios.
Vidas e mais vidas em movimento aleatório,
Vidas e mais vidas andam retos sem expressão,
Vidas esquecendo vidas enquanto os sinais abrem
E fecham destruindo esperança e alongando a
Distância entre os seres humanos. Um sapato ficou
Para traz e mais adiante seu dono não é melhor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Nada vem com o vento


Depois que o vento passa e percebe-se que ele não traz nada,
Nenhum resquício se quer de poeira em suas entranhas.
É, então que nasce a legitima necessidade de apenas ouvir

O som das teclas de um piano dentro dessa escura solidão.

domingo, 11 de novembro de 2012

Eu distante






Ando distante de mim e da vida.
Carrego uma essência pesada,
Um verdadeiro pudor a tudo que se molda social.
A verdade dos homens é um redemoinho de coisa alguma,
As minhas próprias verdades nunca dizem nada.
Essa atmosfera emporcalhada me repele
Só a um verbo ao qual ainda me apego: fugir.
Minha vontade, minhas dores, minhas miudezas saudosistas
Requerem uma reavaliação, pois sou eu mesmo feito dessa
Nostalgia aqui calada no peito frio e asqueroso.
Sentimental poucas vezes fui, sentimentos mastigados
Muitas vezes engoli. Eis, pois a velha arte de não se encontrar.

domingo, 7 de outubro de 2012

Inverno





Aqueles dias em que o vento sopra tão bom,
O sol se encolhe e dorme um pouco mais.
A manhã prolonga-se e a vida custa a passar.

Aqueles dias em que as mulheres
Com o choro dos seus bebês despertam
E amamentam e sentem a utilidade especial
De ser mãe em um tempo frio de inverno.
Elas tercem a vida primorosamente.

Aqueles dias que o corpo congela
Permanecendo em seu estado
de preguiça constante.

O inverno aproximação dos corpos,
União dos casais por uma temporada
Inteira de necessidade um do outro
No longo espaço entre os cobertores.
O inverno é um tempo tão bom para os espíritos
Preguiçosos manifestarem-se.

Dissolução




Só enxergo o mundo bonito quando abro a porta dos fundos da minha casa à noite, em que o muro impede a visão das laterais me permitindo ver apenas o céu todo estrelado.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Na verdade somos um só


A verdade em mim é solida.
Penso em você quando estou em silêncio largo e profundo
Talvez devesse reservar um tempo para gostar mais de você,
Talvez devesse te levar nos braços até o último raio de sol,
Talvez eu pense em você amanhã de manhã
E liberte-me ao entardecer quando o vento passar
Roubando a tua essência de mim.

A verdade em mim é você.
Não presto atenção no tic-tac do relógio
O palpitar do teu peito interessa-me mais
A pulsação do teu corpo interessa-me mais
O teu respirar ofegante interessa-me mais.
O teu sorrir sem jeito interessa-me mais.
No fim tudo parece está morrendo,
Mas o tempo passa e tudo renasce.

Na verdade não somos mais os mesmos
Agora eu sou você e vice-versa.
E caminharemos juntos em torno da luz
E viveremos juntos a minha e a sua vida
E nos transcenderemos até as estrelas
E permaneceremos sob os domínios da luz
Por que a verdade em mim é solida.
A verdade em mim é só você.