quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Não sejamos hipócritas

Desenhei um foguete na areia
para temos possibilidade de voar 
sempre que o vento estivesse a favor.

Já caminhei tanto
minhas pernas estão cansadas,
minha própria vida está cansada
ronda em mim ainda a mesma azia
pela existência desafortunada.

Passei o dia a olhar em volta
preciso voar para longe de mim
para longe de ti, do fim.

Se vamos fingir que seja
um fingimento profissional 
o mesmo que os poetas 
e os idiotas se utilizam.
não vamos ser hipócritas!


quinta-feira, 17 de outubro de 2013


domingo, 6 de outubro de 2013

Escolhas

Ei!
Tá tudo bem?
O que não se pode ver não se pode afirmar.
eu vejo tua face triste, mas o teu coração
não estar ao meu alcance.

Se tu es livre porque choras?
alguns pedaços da tua tristeza escorre mansamente
por entre as veias de tua vida deveras descontinuada.
Se tu queres porque não segues?
lembra-te sempre que das possibilidades
extraímos o sumo daquilo que pode vir a ser continuidade.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sempre você



É sempre um prazer tê ver assim linda sem fim.
Mais nada acontece, não é? 
Somos desconfiados um do outro
Não queremos dar o braço a torcer
sei, vivemos tempos de pura confusão sentimental
é melhor deixar como está, sem mágoas.
e nesse silêncio de mim pra ti acabamos
tentados pela distâncias extrema
na solidão dos pensamentos lá outro cá.

É sempre um prazer tê ter por perto
se um dia eu te convidar pra sair 
é por que já não aguento mais pensar que não dar.
Estamos assim engasgados;
estamos aprisionando paixão;
estamos saindo pela contramão.
Mas eu sei, é essa coisa de relação confusa
de gostar agora é desgostar depois 
de viver agora é separar depois, tem razão
talvez o melhor é não nos precipitamos outra vez. 

É sempre um prazer te querer pra sempre.

sábado, 21 de setembro de 2013

Só os grandes

Só os escritores de nomes carregam o respeito de serem lidos.

domingo, 15 de setembro de 2013

A aparência engana

Poderia gostar de alguém, mas o alguém que gosto é totalmente displicente. Realmente falar só por falar não é a minha praia, a pessoa tem de ser autentica do início ao fim, meio termo pra mim é hipocrisia, dei-me a verdade e retribuirei, dizer só por dizer não diz nada a prática fala mais alto, a prática tem os meus olhos, na verdade enxerga mais que os meus olhos. Como Nietzsche dizia “toda verdade deve vir acompanhada de uma boa gargalhada” e as suas verdades me dão nojo e vergonha, a sua beleza atrai qualquer homem mais os seus pensamentos diante de alguém que te quer bem, nada oferece de natural e maduro. Uma mulher para ser mulher de verdade tem de desfilar sob o natural por essência e não forçadamente por interesse.  É de mais o nojo que sinto de certos tipos de pessoas. O caráter diz muito e se as atitudes não condizem com a aparência desmantelada e mesquinha nada presta em sua pessoa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Livro sobre Nada





O Livro sobre Nada
Manoel de Barros

Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

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Tudo que não invento é falso.

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Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

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Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

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É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

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Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

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Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

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A inércia é o meu ato principal.

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Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

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O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.

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A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

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Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

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Por pudor sou impuro.

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Não preciso do fim para chegar.

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De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

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Do lugar onde estou já fui embora.



LIVRO SOBRE O NADA é uma obra prima da literatura nacional, como é maravilhoso encontrar ainda nos dias de hoje grandes engenheiros de palavras como Manoel de Barros.

A voz do silêncio



Um dia vamos sentar e conversar
Mas hoje quero apenas silêncio.
Sinto necessidade de mais vazio
Você nunca sentiu essa vontade gritante de silêncio?
Acho que você não conhece a língua do silêncio.
Fazer com que as coisas sumam,
O tempo pare repentinamente
Diante dos seus pensamentos vagos.
O medo vai embora
O peito largo acomoda bem o vazio.
A solidão é como um amanhecer neblinado
Em que a frieza do pensar te conduz
Para bem longe
Para distante de tudo
Que te reduz.
Neste momento só o silêncio me constrói.


domingo, 25 de agosto de 2013

Meu irmão: uma infância inteira e nada foi como deveria ter sido.



Estou a pensar na infância, mas a unica imagem que me vem a mente é a de meu irmão em uma tarde de verão intenso atirando uma pedra em minha direção, eu abaixando atrás de uma fileira de telhas velhas e a pedra assim mesmo me alcançando e sai sangue, e eu choro, choro muito. Estou a dias pensando, a relação com meu irmão teve seus altos e baixos, mais baixos do que alto. E nunca conversamos sobre mulheres, conversamos pouco sobre futebol, quase nunca conversávamos, jogávamos bola no quintal de casa para isso eramos fieis. Dividíamos o mesmo quarto, torcemos para o mesmo botafogo de trote mansos de outrora e nunca estendemos a mão um para o outro, nunca deixamos transparecer o sentimento encolhido em nós, eramos estranhos que se conheciam nada mais.

Hoje confesso que sou mesmo um cara estranho para sentimentos, o que sinto sinto pouco, o que guardo não é mais que brevidade e demagogia vencida, nada me atrai, o que os outros tem para me oferecer não me interessa. Meu irmão está lá e eu estou aqui não mais dividimos o mesmo quarto e se a pequena distância de antes nunca foi barreira para uma distância ainda maior entre nós, hoje ela se estende para o infinito e o que a entre nós é apenas remorsos, culpa, mais distância e uma variante que ronda o tempo, as lembranças retornam para mostrar cada pilar erguido de forma incorreta desabando no presente, cada laço desfeito ao longo do caminho, cada erro pisado e repisado pela memória é o que resta.

O "eterno retorno" já não valeria nesse ponto pra mim, não suportaria viver isso tudo de novo assim, eu acrescentaria o diálogo e o afeto no vasto espaço entre eu e meu irmão, eu o entenderia mais vezes porque hoje não o entendo definitivamente. A amizade verdadeira deveria reinar mais nos laços de sangue, se isso só contasse, se o ambiente fosse um só para todos aqueles que vivem uma vida de harmonia um com outro seria mais fácil. Talvez meu irmão não guarde nada da infância, talvez lembre de mim, mas não da forma que lembro dele como meu irmão totalmente esbelto, talvez ele nem tenha percebido que o tempo passou  e só nós distanciamos um do outro, que ele casou e eu permaneço aqui a pensar nele.

                                                                                Aracaju, 25/08/2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Para além de nós mesmos




Qualquer resto
qualquer esperança
somos alimentados
toda a vida
por uma força
uma impulsão
sempre para adiante
somos levados a crer
a acreditar
fervorosamente
no além presente.
Sonhamos por que
Queremos está além de nós.
Vivemos por que
Esperamos viver mais.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vinho barato



E se tivesse condições de comprar o vinho mais caro que existe, aquele extraído dos vinhedos selecionados da Itália ou de Portugal e aprovado pelo melhor sommelier que existe, ainda assim optaria pelo velho vinho barato do barzinho de esquina. Aprecio de mais o prazer e o gosto de simplicidade que carrega em sua acidez.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A gravidez do poeta






No caminho para o trabalho
na madrugada quando o sono não bate na porta
no banheiro quando o chuveiro chove
em qualquer lugar quando a mente ligeiramente se distrai
essa é a rotina do pescador de palavras.

A inspiração começa percorrendo tímidas linhas
Foge do nada
E em algum lugar inesperado ela aparece
E se torna magistralmente bem vinda.

No ritmo da palavra certa
Seguindo o som aberto das metáforas ocasionais.
A poeira da imaginação vai te levando
Te levando até o limite dos pensamentos
Tornarem-se fetos e ganharem vida.

A grande gravidez do poeta.
Carrega por nove meses a inspiração viva
Os sentimentos e os resguardos de viver
E a necessidade de parir, a dor do parto
Faz-se em qualquer lugar, inesperadamente.
Então, eis ai o nascimento.
Eis a dor
Eis a cria.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eu



Não sou melhor que ninguém.
Amo quem me ama,
mas prefiro a distância.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Família





Fico a observar uma planta e seu intenso elo com a terra e penso: se retiramos essa planta da terra e pusermos em qualquer outro lugar destituído de todos os nutrientes que a planta necessita para sobreviver ela logo, murcha, seca e morre. Ou seja, a planta necessita da terra para sobreviver. Não é diferente para qualquer membro familiar, a família é como a terra e nós a planta com suas múltiplas raízes que precisa se fixar a terra para poder crescer, frutificar, sombrear. Precisamos de apoio moral, educativos e sociais esses são os nutrientes que a família tem para nós oferecer. Longe desses nutrientes murchamos, secamos e presos ficaremos com nossa consciência defasada dentro de um sistema improdutivo da sociedade. Sem a família não passamos de um estágio mal formado, um aborto sobrevivente para a sociedade criar como bem entender. Só a família sabe fortalecer nossas raízes, só ela possui toda uma camada de proteção que nos garante chegar à infinidade limitada ao nosso ser. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Seu Manoel

Um homem guarda suas recomendações
no mais fundo poço de suas sabedorias
e seu Manuel tem na alma uma iguaria
de pensamentos e demagogias que
surgem no momento exato do
distúrbios de ideias, do trabalho
forçado entre um momento e outro.

Seu Manuel tem na alma um jeito
inteligente de lidar com os ânimos
desconhecidos, na fala o mais
impressionante consegue unir sua
sabedoria com falar extraordinariamente
bem. Tem na voz um encanto fatal.

Tem firmeza na base sólida dos pés,
que segura o corpo imerso a tantas
histórias de vida, a tantos momentos
vividos e nenhum pequeno atrito
com as pedreiras que barram o
caminho, tem saudades escondidas
no peito saudades de alguém muito
importante ao falar se sente a
nostalgia saindo em forma de lágrimas
de seus olhos, pequenos olhos de bom amigo.
Seu Manuel de vida tão longa, um pouco
farta outro pouco falta alguma coisa, algo
na parte vegetativa em que todo homem
deseja deixar como a herança de seu próprio
sangue , de sua própria carne, um herdeiro
de sua imagem, que carregue os mesmo
pesos. Seu Manuel não teve um filho
mas tem pelas pessoas o carinho de
quem ama como pai.

Seu Manuel nossa amizade não limita-se
na extravagância que estende-se em nossas
idades ela prolonga-se quando do teu
pequeno espaço vou conhecendo pouco
a pouco na relação que temos no cotidiano
de agora e sempre.

Seu Manuel você é o avó que nunca tive.


Dedico este poema a uma das mais encantadoras pessoas que
já vi na minha vida, seu Manuel não é um homem qualquer é um
sábio, mestre na arte de aconselhar, ensinar, capaz de derrubar as barreiras da amizade, Seu Manuel assim como avó você também é o amigo que nunca tive, obrigado.

A minha tristeza é a de nunca ter dito tudo isso pessoalmente.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Cortando Minas Gerais


Sob o entardecer empurrado pelo pôr - do- sol atrás dos cafezais
Que despontam em trajes núpcias e banha toda área montanhosa.
O ônibus percorre de lado a outro esse mundo de pastos e cafezais
e pela janela estendem-se todos os terreiros preparados para receber
o café maduro.

Do nada a saudade desabrocha como cada flor da primavera
E a visão desse mundo grande, desses cafezais distantes, desses gados
Andantes ponteando de branco cada lado da rodovia se tornam
Fúteis diante do sentimento do que foi engrandecedor em minha vida.

sábado, 25 de maio de 2013

Vou dizendo aos poucos





Vou dizendo aos poucos.
porque tudo se faz aos poucos
com cada coisa em seu lugar
posso ser alguém descrevendo-me
posso ser outro alguém vivendo-me
posso ser mais ou menos
posso ser mais
posso ser menos
vou dizendo aos poucos.