quarta-feira, 10 de julho de 2013

A gravidez do poeta






No caminho para o trabalho
na madrugada quando o sono não bate na porta
no banheiro quando o chuveiro chove
em qualquer lugar quando a mente ligeiramente se distrai
essa é a rotina do pescador de palavras.

A inspiração começa percorrendo tímidas linhas
Foge do nada
E em algum lugar inesperado ela aparece
E se torna magistralmente bem vinda.

No ritmo da palavra certa
Seguindo o som aberto das metáforas ocasionais.
A poeira da imaginação vai te levando
Te levando até o limite dos pensamentos
Tornarem-se fetos e ganharem vida.

A grande gravidez do poeta.
Carrega por nove meses a inspiração viva
Os sentimentos e os resguardos de viver
E a necessidade de parir, a dor do parto
Faz-se em qualquer lugar, inesperadamente.
Então, eis ai o nascimento.
Eis a dor
Eis a cria.

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